Tudo que mais quero é jogar futebol, disse Salvador Cabañas na sua apresentação, no último sábado, ao 12 de Octubre, seu time de origem no Paraguai, ainda com uma bala alojada na cabeça, resultado do incidente que completa dois anos nesta quarta-feira.
Já escrevi por aqui que não acredito em sorte ou azar, muito menos aplicados a um país inteiro. Mas é de se pensar porque diabos Cabañas levou um balaço na cabeça quando, finalmente, o Paraguai montou uma seleção competitiva, na Copa do Mundo de 2010. Fizeram história, mas poderiam mais.
Por isso, mesmo que não acreditemos em bruxas, é de se pensar o que pode acontecer com um centroavante que decide voltar a jogar profissionalmente tendo um projétil instalado em sua cabeça.
Conseguirá voltar a jogar de forma competitiva? Não está colocando a própria vida em risco? Talvez nem os espertos em medicina possam responder no momento.
No sábado, Cabañas atuou durante dez minutos em um jogo-treino do 12 de Octubre, time que passou a última década quase toda na primeira divisão, mas hoje milita na segundona paraguaia. Sobre o desempenho del Mariscal, o jornal Última Hora escreveu:
Físicamente se lo ve en óptimas condiciones, producto de los trabajos que venía realizando con Libertad. Pero Cabañas demuestra muchas dificultades a la hora de reaccionar y en rapidez mental para elaborar una jugada al instante.
O mais provável é que o corpo de Cabañas, aos 31 anos, não tenha condições de jogar futebol em nível de competição. Mas ao se lançar ao desafio que, logo após o balaço, parecia impossível, Cabañas carrega nos ombros o alento de sete milhões de torcedores que andavam órfãos de um ídolo esportivo.
E como o futebol está aí para nos apresentar metáforas sobre a vida real, Cabañas tentará voltar a jogar futebol no clube que o revelou para o futebol e na cidade de Itaguá, cujo símbolo é o artesanato ñanduti, cujas linhas entrelaçadas simbolizam a união em torno de um desejo comum, no caso, o de que Cabañas possa alcançar o objetivo singelo de jogar o futebol.
Venceremos,
Daniel Cassol
Foto: Site D10


Brilhante.
Destino adora pregar uma peça, vez ou outra. Ponderar o por quê dessas merdas é a razão da filosofia.
Cabanas é o retrato do paraguai, um quase anti herói, centroavante improvável, baixo, rechonchudo, que acima de tudo e de todos se impõe e assombra o mundo do futebol.
Mas parece que o destino dos hérois latinos tende invariavelmente à tragédia, ao tango, à milonga e à guarania.
Cabanas ta mais magro que o deprimente do adriano… Não sou medico, mas qual é a possibilidade desse cara cabecear uma bola, esse projetil se mexer la dentro e dar uma merda fodida?
Gabriel R., o cara tem que ser, literalmente, um “cabeça oca” pra uma bala balançar ‘lá dentro’. =]
a bala não tá flutuando, tá toda envolta, ‘amarrada’ por tecido cicatricial.
mais do que nunca: AGUANTE!!
Cabañas, desde já, muito mito. Tomara que volte a jogar na ponta dos cascos e leve a albirroja ao INEVITÁVEL título de 2014.
Belo post…
Sei que o SE não existe no futebol, mas com o Cabañas lá na África do Sul, o Paraguai teria grandes chances de desbancar a Espanha (mais do que as que teve…) e chegar à sua primeira semifinal de Copa…
Força Cabañas…
Se estivesse em campo, Cabañas converteria aquele penal contra a espanha e o mundo jamais seria o mesmo novamente…
Excelente texto sobre uma situação que mistura o melhor (raça indiática criola, futebol, superação, alegria e lendas/fantasia) e o pior (racismo/facções criminosas, negócios espurios, violencia, o ‘quase eterno’, drama e A REALIDADE…) da America Latina…
Sim, como disse a Isabel, a Bala esta fixada por tecido conjuntivo cicatricial… Mas isso ainda não impede lesões locais por novos traumas, numa área, por assim dizer, INSTAVEL na sua estrutura vascular, glial (sustentação dos tecidos do encefalo), neurológica e até ossea…
Infelizmente, a distância, eu diria que será mais uma LENDA o Sr. Pepe Maracanazzo Cabañaz (e tudo o que PODERIA TER SIDO DA ÁFRICA) do que, ainda, uma realidade. Do Futebol.