Eu quero um Universidad de Chile x Barcelona. Hoje. Agora.
Ontem, La U passou por cima de mais um tabu. O tabu que obriga os clubes a priorizar uma competição: o time levou o campeonato chileno, vencendo o Cobreloa por 3×0 ainda no primeiro tempo. Em apenas 10 minutos de jogo, a U já criara três chances de gol, uma delas terminando em chance perdida por Eduardo Vargas, que vai ao Napoli no ano que vem.
Aos 23 minutos, o volante Marcelo Díaz deu um lançamento primoroso que achou na ponta direita Aránguiz, que cruzou para o meio da área e encontrou Gustavo Canales: 1-0. Quatro minutos depois, em um contra-ataque, Eduardo Vargas recebeu a bola pela direita e encobriu o goleiro laranja para marcar um golaço: 2-0. Aos 34 minutos, o fechamento da conta: Aránguiz encontrou Rojas, que cruzou para a área. A bola encontrou Matías González que arrematou de direita: 3-0. A torcida do Cobreloa não conseguiu nem se irritar: era um domínio acachapante, de um time esfuziante, que foi o melhor da temporada jogando o fino por um semestre inteiro.
De todas as lições que foram discutidas sobre o Barcelona e o futebol brasileiro após o massacre do Mundial, não foi debatida a lição que a Universidad do Chile deu. É um time que corre certo, que aproveita bem os espaços e que não tem nenhum craque absoluto: primeiro falavam de Lorenzetti, depois de Vargas, agora alguns vêem o talento de Marcelo Díaz. A engrenagem, porém, funciona com maestria, e o time joga com enorme confiança. Mesmo sem Sampaoli (suspenso) na beira do campo, mesmo com o empate no calor de Calama, mesmo no dia 29 de dezembro. O time que é entrosado, corre certo e tem uma ideia de futebol coerente joga bem em qualquer situação, em qualquer momento. Sem precisar priorizar competições, sem poupar muitos jogadores, sem mudar o esquema conforme o adversário. Uma coerência institucional, que tanto falta no futebol brasileiro.
Um desmonte está por vir na Universidad do Chile. A economia é implacável: além de Vargas, vendido ao Napoli por uma bagatela (falam em 13,5 milhões de euros) também devem sair José Rojas, para o Brasil (provavelmente para o Vasco), Eugenio Mena (propostas do Brasil, também), Gustavo Canales (propostas do México), Lorenzetti e Diego Rivarola, que se aposentará. Chegaram Roberto Cereceda, lateral que jogou no Colo Colo e na Universidad Católica, e está perto de acertar Fernando Meneses, meia também da Católica. Joao Rojas, atacante do Emelec, está em negociações.
Com a vitória dos chunchos, acabaram todos os campeonatos nacionais do ano e foram definidos os últimos postos da Libertadores. A Universidad Católica vai para o grupo 3 e a Unión Española pega o Tigres, do México, na Pré-Libertadores.
Até a vitória,
Luís Felipe dos Santos


poucas coisas mais tristes que o significado do penúltimo parágrafo e sua (quase) inevitabilidade
12 minutos de puro futebol… que obra de arte, que maneira de se concluir um ano…
E concordo com o #1 acima. Uma pena que nao exista uma clausula no contrato que proiba a venda de jogadores se eles jogarem de maneira excepcional.
Não entendo a implicância com o Barcelona. A lição deles deveria ser aprendida por todos: time se faz na base e futebol é um esporte coletivo.
#1, #2
Concordo com vocês… e depois vem o Guardiola dizer que o poderio econômico não é tão importante assim na diferença entre o futebol europeu e o resto do mundo, já que 9 jogadores do time titular do Barça saíram da base e custaram “zero euros”, segundo ele…
Tudo bem, pode até ser que eles não gastaram muito com contratações, mas como segurar esses jogadores se não for com salários e contratos milionários? Se o Messi ainda estivesse em Rosario, sairia na primeira janela de negociações para um time de segunda linha do Leste Europeu… Até o futebol grego tem mais poder econômico de atração sobre nossos craques latino-americanos do que os clubes daqui… se os clubes brasileiros, que são do país com a economia mais sólida do continente, não conseguiam segurar suas revelações até há bem pouco tempo, o que se dirá dos demais clubes dos países de economia frágil do continente…
Por esses motivos que eu sou contra essa importância exagerada que se dá ao Mundial, que é apenas um ou dois jogos do outro lado do mundo, contra times cujos torcedores europeus em geral consideram “exótico” ganhar de clubes desconhecidos do resto do mundo, e que não se dignam sem sequer SAIR PRA RUA quando seu time ganha um campeonato mundial (vide os barcelonistas no jogo contra o Santos)… Eu acho que ganhar a Liber é MUITO mais importante, e se tem algo que temos que COPIAR dos europeus, seria isso, já que eles valorizam muito mais a Champions League do que esses “amistosos de luxo” em lugares exóticos (foi assim que eles viram o Mundial de 2000 no Brasil, por exemplo)…
tem que valorizar qualquer campeonato que termine dia 29 de dezembro, isso sim
Esse Barcelona é uma ilusão. Pegaram um timeco sem alma nessa final do mundial e a imprensa marrom que adora uma onda faz essa tempestade toda.
O Estudiantes em 2009 jogou contra esse mesmo Barcelona e perdeu na prorrogação. Dizer que o futebol brasileiro está decadente, falta alegria, toque de bola é uma palhaçada. Coisa de quem é macaquinho de auditório que acha que o futebol é circo. Os mesmos que condenam “aquela bosta de 1994″ (como ja disseram alguns por aqui), mas se esquecem que essa mesma espanha do “joga bonito” ganhou uma copa na prorrogação, fazendo oito gols em oito jogos.
Não acho que o Barcelona jogue bonito e não sei se é esse o maior argumento a favor deste time. Acho, inclusive, um futebol bem chato de ver, mas é eficiente. E outra. Eles marcam pra caralho, como poucos times que já vi jogar, o que seria uma característica de time defensivo nessa visão mágica de futebol saudoso de Zico e Cia. Se ganhou na prorrogação do Estudiantes, não interessa. Ganhou e ponto final. Fosse o contrário, Estudiantes ganhando na prorrogação, alguns aqui diriam que estaria comprovado no campo a inferioridade do Barcelona diante do melhor do futebol sul americano. E baterial o martelo. Como a taça foi para o lado de lá, nada está comprovado.
Na minha avaliação, trata-se do melhor time da atualidade. Melhor que aquele Estudiantes e melhor que La U. Mas não é imbatível.
Fuebol é esporte de marcação, já dizia o falecido Enio Andrade. Hoje só temos técnicos e jornalistas exportivos sem opinião, vão na onda daquilo que todo o mundo acha normal. Se o torcedor quer que seu time arrase, não basta ganhar, tem de ganhar e humilhar. Será que esse torcedor de hoje ama seu time, ou para ele é mais um negócio, de lucros e prejuízos?