Dá jogo?

Desta vez não teve zebra e no domingo veremos o jogo que está anunciado desde o fim da Libertadores, em julho: Santos contra Barcelona. Ou Neymar contra Messi. Ganso contra Iniesta. Durval contra Abidal. E outros duelos de igual envergadura. Mas a pergunta que fica é: vai dar jogo?

Desde 2005, quando a Fifa passou a organizar o Mundial de Clubes anualmente, o placar de conquistas aponta quatro para os europeus e dois para os sul-americanos. Mais que isso, os números mostram que, mesmo quando perderam, eles foram superiores em campo. Pelas estatísticas dos jogos disponibilizadas no site da Fifa, podemos dizer que os dois maiores massacres ocorreram em 2005, quando Rogério Ceni fechou o gol e garantiu o título do São Paulo, e 2009, quando o Estudiantes esteve a um minuto do topo do mundo mesmo acertando apenas uma finalização no gol durante 120 minutos.

Em 2005, o Liverpool finalizou 21 vezes a gol contra apenas 4 do São Paulo. Considerando apenas os chutes no gol (que não foram para fora), goleada de 8 a 2 para os “ingleses” (recheados de espanhóis, finlandeses, irlandeses e assemelhados). Na posse de bola, equilíbrio: 53% para o Liverpool, 47% para o São Paulo. Em 2009, o Barcelona finalizou 16 vezes contra somente 3 do Estudiantes. A pontaria de ambos não foi boa: 4 a 1 para os catalães nas finalizações no gol. A posse de bola do maior time de todos os tempos da última semana, segundo a imprensa brasileira, foi de 64%, contra 36% do Pincha.

As estatísticas da Fifa mostram um maior equilíbrio nas finalizações nas finais de 2006 e 2008, embora ainda mostrem superioridade européia. Para vencer o Barcelona há cinco anos, o Inter finalizou 10 vezes a gol, contra 17 do adversário. Dois anos depois, a LDU perdeu num jogo parecido, no qual finalizou 10 vezes contra 16 do Manchester United. Quando olhamos apenas as finalizações no gol, porém, os europeus foram bem superiores: 6 x 2 para o Barcelona e 9 x 3 para o Manchester United. O mesmo ocorre com a posse de bola: Barcelona 57% x 43% Internacional e Manchester United 55% x 45% LDU.

Mas o confronto mais equilibrado nos números foi justamente aquele mais díspar no placar. Mesmo levando 4 x 2 do Milan, o Boca Juniors terminou a final de 2007 com mais finalizações (17 x 14), mais finalizações no gol (9 x 7) e posse de bola parelha, com leve vantagem milanista: 51%, contra 49% dos Xeneizes. Foi a única vez, também, que o sul-americano fez mais de um gol na final.

Desde 2005, o que vemos quase todo ano na final do Mundial é o time sul-americano entrando em campo para se defender e tentar matar o europeu num contra-ataque bem armado. Muito pouco para um continente com tantas glórias no futebol como o nosso. Mas, claro, situação perfeitamente compreensível. Esses números todos e as finais dos Mundiais são um reflexo da influência da economia no futebol mundial.

Como os Estados Unidos preferem se divertir com outros esportes, a Europa assume o posto de centro econômico do futebol mundial. Endinheirados, os grandes clubes europeus fazem igual fazemos nos joguinhos de videogame: compram todos os melhores jogadores que podem, de todas as partes do mundo, sem pudor. E, entre eles, muitos sul-americanos, como o brasileiro Kaká, que destruiu o Boca em 2007; os também brasileiros Deco e Ronaldinho, os melhores do Barcelona contra o Inter em 2006; e as centenas de brasileiros e argentinos que formavam o time da Internazionale em 2010. Com nossos jogadores do outro lado do Atlântico, eles ficam mais fortes e, nós, mais fracos, evidentemente.

O Brasil, com o crescimento da economia, começa a conseguir segurar por mais tempo suas jovens promessas e a trazer de volta bons jogadores que não deram certo na Europa. Se tem alguém na América do Sul que pode fazer frente aos europeus, são os brasileiros. É isso o que o Santos pode mostrar neste domingo. Isso se vencer antes outro adversário constante das equipes sul-americanas no Mundial: o cagaço. Não bastam os europeus serem superiores hoje, a mídia ainda faz parecerem maiores que são: transforma Puyol num grande zagueiro, Abidal num lateral fantástico e Keita num volante superior a qualquer um que atue no Brasil.

Não entra nessa, Santos. Se é difícil pra nós, façamos ser difícil pra eles também.

Y siga el baile,
Felipe “Catarina” Silva.

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27 Respostas a Dá jogo?

  1. Gustavo Foster diz:

    Bem nessa.

    Tava vendo o jogo de 2006, hoje. O Inter tinha, entre outros, Ceará (hoje no PSG), Pato (hoje no Milan), Luiz Adriano (reserva, hoje na Ucrânia), Renan (reserva, jogou no Valencia), Bolívar (que depois foi para o Monaco).

    Em resumo, jogadores (bons ou ruins) que jogaram na Europa, contra os mesmos times que jogam a final do Mundial de Clubes.

  2. Yoda diz:

    Na falta de números inflacionados, resta aos clubes sudamericanos a tática matreira e alguma mandinga: afinal, por qual outro motivo o Santos levaria “el saci” Rentería?

  3. Gralha diz:

    Concordo com tudo, menos com essa história de “se tem alguém que pode fazer frente aos europeus, são os brasileiros”. Taí a Sulamiranda que não nos deixa mentir. Esse time da U faria um jogaço também se tivesse no lugar do Santos.

  4. Diogo Terra diz:

    Agora, francamente, editor de revista esportiva dizer que Edu Dracena é melhor que Piqué, não dá. Se fosse cartola do Santos, louco pra fazer uma média, eu até deixava passar.

    Saudade do Boca, que desmoralizou esses calhordas anos a fio (tanto que, em 2007, só faltou o Galvão cantar tarantella na vitória – justíssima – do Milan; ah, na final da Libertadores, como não dava pra fazer oba-oba, o Cleber Machado narrou).

    Palpite: Barça ganha, mas não vai ser um passeio, não.

  5. Diogo Terra diz:

    Agora, francamente, editor de revista esportiva dizer que Edu Dracena é melhor que Piqué, não dá. Se fosse cartola do Santos, louco pra fazer uma média, eu até deixava passar.

    Saudade do Boca, que desmoralizou esses calhordas anos a fio (tanto que, em 2007, só faltou o Galvão cantar tarantella na vitória – justíssima – do Milan; ah, na final da Libertadores, como não dava pra fazer oba-oba, o Cleber Machado narrou).

    Palpite: Barça ganha, mas não vai ser um passeio, não.

  6. Diogo Terra diz:

    desculpa pelo double :(

  7. matheus diz:

    não vai da-ar

    lalalalalala

  8. Felipe (o catarina) diz:

    #3

    Talvez eu tenha exagerado um pouco. Acredito que, na média, os clubes brasileiros são os que conseguem estar mais “pau a pau” com os melhores europeus. Concordo que La U poderia fazer um jogo contra o Barcelona do mesmo nível que o Santos. Mas acho que, tirando os brasileiros, seria o único time da Sudamérica (talvez LDU e Vélez, mas tenho dúvidas).

    Sobre as finais de 2005 (não ignoro 2000, mas não dá pra comparar com esses torneios no formato atual) até hoje, acho que:

    2005 – o São Paulo tinha time pra jogar de igual com o Liverpool. Os ingleses estavam numa fase excelente (20 e poucos jogos invictos, salvo engano), mas acho que o SP foi medroso demais. Mas ganhou, enfim, é o que importa.

    2006 – o Inter da Libertadores teria time pra jogar de igual com o Barcelona. Perdeu jogadores importantes (Bolívar, Tinga, Sóbis e J. Wagner, confere?) e fez o jogo que podia fazer no Japão. E ganhou, é o que importa.

    2007 – se o Boca não tivesse uma zaga tão ruim (Maidana e Palletta), poderia ter vencido. E se tivesse Riquelme, mas o Villarreal, um europeu, ficou enrolando justamente até encerrar o prazo pra inscrições pro Mundial…

    2008 – a LDU fez um jogo dentro de suas possibilidades.

    2009 – o Estudiantes fez um belo primeiro tempo (virou ganhando 1×0), mas passou o resto do jogo dando chutão pra cima.

    2010 – Não teve América x Europa. Porra, Inter!

  9. Matheus diz:

    1999: Man U ENCURRALADO. Bosnich dopado, Júnior Baiano dormindo. foi a última vez em que um sulamericano jogou pra cima de um europeu.

  10. beretta diz:

    O Santos vai ganhar e fim de papo.

  11. chico ssecorun diz:

    Isso aí , Santos ganha e já era. Não basta ser o melhor no.futebol, tem que saber ser na hora certa.

  12. Ladislau diz:

    Como dito aí acima, último massacre sul-americano, foi do Palmeiras pra cima do Manchester, mas perdeu…

    Domingo o Santos ganha, sem dúvidas…

    tá chegando a hora, “haaaaja coração amigo!” kkkk

  13. Chico Luz diz:

    não gosto do estilo do jogo do Barcelona, mas a minha primeira LEI do futebol é que eu nunca torço por time brasileiro que não for o Inter ou o Noia.

    Então vai, Barça, e enfia três na sacola do Muricy.

    só quero o gol de honra do Rentería.

  14. arbo diz:

    tou pelo santos. aguante.

  15. Gregório diz:

    #1

    Pois é, se até esses caras, que não são uma beleza, conseguiram ser vendidos, o que sobra aqui?

    #4
    Assim como tem gente que fala isso do Edu Dracena, tem gente que exagera no Playstation e acha qualquer cara que joga na Europa sensacional. Os exageros da imprensa tem dois lados. Não é como se os europeus fossem endeusados por todos, nem menosprezados por todos. Sinceramente, leio certas coisas por aí, que tenho a impressão que esse povo não vê futebol.

    #8
    Acho que La U faria um jogo até mais equilibrado do que o Santos vai fazer. Os chilenos são um time, não um bando que depende somente de um treinador e de um suposto super-craque.

    E veja bem, tu defende no texto que os times sulamericanos não deveriam jogar encolhidos, mas quando o Boca fez isso tomou um tufo. Será que nossos times só sabem se defender? Pq de boa, se o Santos jogar na retranca contra o Barcelona, vai ser um abraço. O único jeito de ganhar desses caras é atacando eles.

  16. Vitor VEC diz:

    Gol de honra do Rentería é uma boa. Tb é boa a regra do Chico Luz, da qual tenho minha própria versão. Mas a DEMONIZAÇÃO do Barça é claramente exagerada – especialmente se compararmos verdadeiros esquadrões do passado ao futebol atual, a começar do próprio Santos, versão ‘sixties’.
    Não verei a final, portanto:
    Visca el Barça, més que un club.

  17. Vitor VEC diz:

    E em 2005 tb foram TRÊS GOLS ANULADOS do Liverpool. Não sei se todos estavam certos, mas é pouco provável que a juizada tenha acertado em todos os lances.
    Caso parecido com o da Copa-2002, quartas-de-final entre Coréia do Sul (o time da casa e antes da reforma, portanto, CORÉIA) e Espanha.
    Teria sido necessária a España marcar 4golos pra passar de fase; acabou caindo nos tiros penais.

  18. Flávio diz:

    #17
    Pior que, por incrível que pareça, acertou em todos. Se houve algum erro da arbitragem, foi não expulsar o Lugano (um dos melhores em campo), que logo no início do jogo deu uma ripada bonita num jogador do Liverpool.

  19. Acho que pode dar Santos. Neymar naquela defesa do Barcelona vai ser um abraço. O guri tá voando.

    A questão toda é a defesa. Se fizer gol cedo, não vai ter como segurar todo o jogo, igual aconteceu com o Estudiantes. A manha é fazer como o Inter em 2006: gol no meio do 2o tempo e deixar o desespero mudar de lado. Obrigar o Barcelona a dar chutão pra área, tirar da zona de conforto.

  20. Camilo diz:

    Lembro que nos anos 90 os brasileiros enfrentaram os europeus de igual para igual. Vasco x Real Madrid, Grêmio x Ajax, Palmeiras x Manchester, os dois jogos do São Paulo… o jogo do Cruzeiro sinceramente não lembro como foi.
    Muito diferente dos “00′s”… foram jogos parelhos, senão com vantagem nossa. O que mudou?

  21. #20 – Camilo, verdad, os jogos dos brasileiros nos anos 90 foram muito diferentes do que se viu dos sul-americanos nos anos 2000. Tirando o Cruzeiro, que foi subjugado com alguma facilidade (merecidamente, tendo montado um time de aluguel), todos deram peleia braba pros europeus. O Vasco e o Palmeiras em especial fizeram jogos completamente sensacionais e só perderam em lances IRREPETÍVEIS (o gol contra do Nasa e o golaço antológico do Raúl, driblando uns quinze, e a falha bizarra do Marcos contra o Manchester).

    Mas em 2002 eu também lembro do Olimpia dando guerra pro Real Madrid (meteu duas bolas na trave), enquanto em 2004 eu só tenho certeza de que o Once Caldas foi massacrado o tempo inteiro (o tal do Benny McCarthy se criou demais pra cima da retranca dos guris de Manizales e o Porto teve dois gols legítimos mal anulados). E apesar disso, em termos de resultado, o que tivemos? O Olimpia levou 2 a 0, enquanto o Once Caldas carregou o jogo pros penais (e só não foi campeão porque o Fabbro, que tinha sido contratado para aquela partida, chutou na trave a cobrança que daria o título).

    Parece claro que os sul-americanos entram reticentes e mesmo amedrontados (infelizmente, mas até certo ponto naturalmente), e a partir daí o fato de sair perdendo ou não é decisivo para a postura das equipes (sair perdendo: casos do Vasco, do Palmeiras, do Olimpia, que levaram gols no primeiro tempo e foram obrigados a atacar, e por isso criam essa memória IGUALDADE OFENSIVA; e na outra ponta o Inter, o São Paulo, o Estudiantes e o próprio Once Caldas, que sustentaram um empate ou mesmo uma vitória parcial por longo tempo e assim puderam se resguardar mais, eternizando a imagem de um DEFENSIVISMO EXTRAPOLADO). Não é à toa que o Boca de 2007 foi o mais “igual” em oportunidades de gol, obrigado a criar chances que estava, e ao mesmo tempo foi o que teve o resultado mais claramente desfavorável no placar.

  22. Vitor VEC diz:

    #18
    discordo. revi no youtube e ele confirma um gol SACANAMENTE ANULADO em 2005
    .

  23. Felipe (o catarina) diz:

    #15

    Eu acho que o Boca perdeu de 4 porque a defesa era fraquíssima (Ibarra veterano, Maidana e Palletta lamentáveis, Morel Rodríguez o melhorzinho). Se o Boca tivesse ficado na retranca, talvez perdesse de menos, talvez de mais, talvez ganhasse, vai saber. Hoje o Santos só ficou na defesa e tomou 4×0. É aquela coisa, futebol não é ciência exata.

    E no texto, não defendi que os times sul-americanos saíssem loucamente pro jogo. Apenas lamentei que esse seja o nosso papel atual no futebol mundial (“Desde 2005, o que vemos quase todo ano na final do Mundial é o time sul-americano entrando em campo para se defender e tentar matar o europeu num contra-ataque bem armado. Muito pouco para um continente com tantas glórias no futebol como o nosso. Mas, claro, situação perfeitamente compreensível”), depois de ver o São Paulo dar dois tufos no Barcelona e no Milan, do Vélez dar um pau no Milan, de Vasco e Palmeiras perderem jogando bem contra dois esquadrões, enfim. O Inter de 2006, a LDU de 2008 e o Estudiantes de 2009 fizeram o jogo que podiam fazer, dentro de suas limitações.

    Agora, eu achava sim que o Santos poderia fazer um jogo equilibrado (não em posse de bola, mas em chances e até no placar) com o Barcelona. Isso porque tem, do meio pra frente, quatro bons jogadores (Elano, Ganso, Neymar e Borges), melhores que a maioria dos que jogam nos times pequenos do Campeonato Espanhol, que poderiam incomodar, se estivessem num bom dia, em que pese a duradoura má fase de Elano e Ganso. Errei feio, faz parte.

  24. Felipe (o catarina) diz:

    Sobre 2009, fazendo uma ressalva a mim mesmo, o Estudiantes (bem inferior ao Barcelona) fez o jogo que podia fazer em termos. No segundo tempo só deu chutão. No primeiro, foi perfeito.

  25. Gregório diz:

    #23

    Felipe, entendi teu ponto de vista sobre o Boca. Só quis destacar a curiosidade de que, quando um sulamericano foi para o ataque e jogou bem (ao menos nos números), tomou um pealo. Não tava questionando teus argumentos.

    Hoje por exemplo, não era o caso de sair loucamente. Mas eu assisto muitos jogos do Barcelona e sei que quem se retranca contra os caras só se dá mal. Então não dava pra ficar naquela de ficar atrás tentando só jogar no contra ataque.

    E honestamente, achar que Elano e Borges são melhores que a maioria dos que jogam no futebol espanhol, é exagerar no menosprezo. Os caras lá são fracos, mas não tanto assim.

  26. Diogo Terra diz:

    Gregório, até nem acho, pessoalmente, que o Boca tenha ido babando pra cima do Milan. Achou o empate, cabeçada do Palacio onde o Dida, pra variar, não saiu, talvez algo depois do 2×1 rossonero, gol do Nesta se não me trai a memória.

    O Ibarra realmente já estava no ESTERTOR de sua forma técnica e física, mas chutou uma na trave logo em seguida. Se entra aquela… Engrossaria o caldo. O Kaká teria que mostrar serviço. Com Paletta, Maidana e Caranta no gol, bem, nem precisou muito.

  27. Diogo Terra diz:

    Em 2009, se o Verón tivesse uns VINTE anos a menos, puxava uns dois contra-ataques no segundo tempo e fechava o caixão. Mas ele já não tinha perna.

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