Depois do jogo de quarta-feira, Guillermo Alarcón, um tipo obeso e de queixo duplo, tinha um olhar fatigado por trás dos óculos. O presidente do Alianza Lima se dizia orgulhoso da sua equipe, mas a voz era triste e os lábios se inclinavam para baixo num lamento profundo. Ao fim de uma campanha em que seu time foi o melhor da fase regular, chegou a acumular quatro meses seguidos de invencibilidade e ainda venceu a primeira partida da final, fora de casa, Alarcón foi incrivelmente vice-campeão do Peru. Nos pênaltis. Em Lima. Contra um time que nunca havia erguido a taça em 89 anos de existência. O Juan Aurich foi o campeão peruano de 2011, sobre o Alianza. “Aurich vino a defenderse y a esperar los penales”, maldizia o líder aliancista, sem suspeitar que a declaração enobrecia ainda mais a conquista da equipe visitante.
O Club Social Deportivo y Cultural Juan Aurich de la Victoria ganhou o direito de ter seu nome gigantesco gravado no troféu pela primeira vez na história após trezentos e tantos minutos de confronto com o Alianza. Três jogos inteiros, mais uma prorrogação no último, e após ela o tempo incalculável que dura uma disputa de pênaltis. Chiclayo, a cidade do Juan Aurich, fica oitocentos quilômetros ao norte de Lima e tem mais de meio milhão de habitantes, mas nunca deve ter visto ocupação maior que a daquela tarde em sua Plaza de Armas, dessa vez dotada de um telão para os aurichistas testemunharem como seu time se defendia e esperava os penais, pois foi praticamente isso mesmo que eles fizeram, para desespero de Guillermo Alarcón e consagração máxima de Diego Penny, o goleiro do Ciclón del Norte.
Não que as coisas sejam tão simples de determinar no futebol peruano, o único campeonato de Sudamérica em que a cada início de semana as equipes não sabem se poderão ou não fazer valer seus pontos na rodada seguinte. Não é, pois, chegar e dizer “seremos defensivos e vamos ver no que dá”. O Juan Aurich pôde ser defensivo e ver no que dava porque, apesar de ter levado 2 a 1 em casa na primeira partida, deu a volta e triunfou por 1 a 0 no segundo jogo. Mesmo com pior campanha e desvantagem num hipotético saldo qualificado que nunca existiu, o quadro de Chiclayo foi premiado com uma partida de desempate em que o único regalo dado ao Alianza era a possibilidade de jogar em Lima – todo o resto seria em condições de igualdade, daí o empate levar aos penais.
Como no Peru parece sempre ser necessária alguma surpresa, até duas horas antes da finalíssima o local do jogo não estava confirmado. O poder público declarou que não havia como garantir a segurança do encontro no Estádio Nacional, mas os maqueiros, gandulas e policias já estavam posicionados e os torcedores foram chegando e, quando se viu, a partida acabou acontecendo por INÉRCIA. O zero a zero de todo o tempo foi seguido pela atuação iluminada de Diego Penny. O Alianza, que chutava antes, perdeu três penais e caiu por 3 a 1 – o paraguaio Edgar González mandou o primeiro no rumo do firmamento e Penny defendeu outros dois; os de Chiclayo acertaram todos. Terminou com essa dose de melancolia um ano em que o Alianza evitou fiascos pela utopia do título que nunca veio: mesmo com uma situação financeira tão complicada quanto a do Universitario, que perdeu diversos pontos por salários atrasados, os aliancistas aceitaram firmar as planilhas mentindo que recebiam em dia, temendo prejudicar a campanha de quem caminhava na direção da taça.
Campeão, o Juan Aurich cai na chave do Santos na próxima Libertadores. “Daremos pelea al Santos”, prometeu o treinador Diego Umaña, que talvez nem esteja lá para confirmar – ele é nome forte para assumir a seleção de sua Colômbia natal e pode ser anunciado já na semana que vem. Sem certezas para o futuro, por enquanto os torcedores do Ciclón só se interessam pelos festejos inéditos. No momento dos pênaltis, até o hincha mais medroso, o que não gosta dessas decisões, deve ter criado forças para observar a façanha que se formava. “La curiosidad pudo más que el miedo y no cerré los ojos”, escreveu alguma vez Jorge Luis Borges, sobre um personagem seu diante do desconhecido. O conto de Borges termina exatamente nessa frase e o leitor não sabe o que é visto depois, nem se houve arrependimento pela ousadia. O torcedor do Juan Aurich sabe que a coragem valeu a pena.
Maurício Brum


Post sensacional sobre uma final sensacional do campeonato mais insano da América do Sul.
Mas essa tal de Impedcopa é a maior MAE DINÁH de toda sudamerica.
Ninguém NUNCA havia ouvido falar desse tal Juan Aurich antes da II Impedcopa:
Juan Aurich
Gustavo Muniz
Cabral
Júlio Fiori
Rob Rocker
Daniel Cassol
Léo Ponso
Fabiano Bidese
Mateus Arbo
Chora DUPLA EXPLOSIVA NS
tá, mas o técnico da Colômbia não ia ser o ROTH???
Falem daquela LENDA da Maldição do Impedimento agora. dsfhsdhs
Este símbolo do Aurich é sensacional. Parece o LOGOTIPO do Jornal do Almoço da década de 1980.
O Juan Aurich caiu fora da ImpedCopa em função do Esquema Be$$a. Na semifinal, o gordo atacante simulou um penal, que a arbitragem marcou.
No entanto, nada apaga o brilho daquela verdadeira academia de futebol.
Rob Rocker meteu vários gols, incluindo um GOLAÇO nessa decisão em que nos garfaram. Até hoje é o time do coração do RR9.
A lenda começou com o NACIONAL QUERIDO, campeão da primeira ImpedCopa dias antes de sair campeão paraguaio depois de trocentos anos. Até no site “oficial” do clube a ImpedCopa foi mencionada, com direito a foto e tudo.