Vasco e Vélez Sarsfield estão nas semifinais da Copa Sul-Americana. O time argentino conseguiu a classificação ontem, após um emocionante duelo com o Independiente Santa Fé. Aliás, foi um duelo que faz pensar sobre os desígnios da Copa Suda – embora totalmente ignorado pela nossa mídia e tratado com pouca importância mesmo pela mídia local, tanto Santa Fé quanto Vélez lotaram seus estádios, colocaram seus titulares e mostraram enorme dignidade. A Sul-Americana deu certo, pois; e quem faz a competição dar certo, invariavelmente, segue adiante.
É o caso do Vélez. Traumatizado que estava com a perda da vaga na final da Libertadores para o Peñarol, no primeiro semestre, tratou de tentar matar o jogo logo cedo. Com enorme velocidade e boa trama de passes entre Martínez, Fernandez e Ramírez – não, não são nomes gerados automaticamente do International Superstar Soccer ’98, são ótimos jogadores, que formam uma das melhores meias-cancha das Américas – logo o Vélez abriu o placar, com Guille Franco. Não demorou muito – 19 minutos, mais precisamente – para o Vélez ter um placar seguro, com o mesmo Guille Franco, após um soberbo passe de calcanhar de JM Martínez.
Só que o fantasma de maio ainda estava presente, e o Vélez quase viria a entregar de novo uma classificação em Copa. O time entrou leniente no segundo tempo, permitiu que o Santa Fé trocasse passes com a mesma volúpia que eles mesmos trocaram naquela mesma metade do campo, e sucumbiu em pouco tempo. Com apenas um minuto do segundo tempo, Copete driblou um zagueiro e chutou com uma perna esquerda vacilante, a fim de fazer descer quadrado o gole de cerveja do argentino que recém sentara no sofá. Daí em diante, o terror se estabeleceu: a torcida do Vélez lembrou imediatamente do fantasma, os jogadores também, e o descontrole emocional se refletiu no pênalti que deu origem ao segundo gol do Santa Fé – uma saída atabalhoada, uma reclamação desproporcional, um silêncio gelado no Fortín.
O pênalti foi convertido por Omar Pérez, que acrescentou uma dose cavalar de drama humano à contenda. Não apenas pelo seu gol e pelas circunstâncias, mas pelo contexto no qual estava incluído o jogador ao entrar em campo.
Omar Pérez é argentino, de Santiago del Estero. Formado no Boca e com passagem pelo Banfield, fez carreira na Colômbia a partir de 2004, passando por Junior, Cartagena e DIM antes de chegar no Santa Fé. Como o Independiente não tem frequência em copas, ver Pérez jogar na Argentina era um evento, e para isso mobilizou-se sua família. Enio Perez, 81 anos, estava na van quando uma forte tempestade começou; uma árvore caiu no veículo e decretou sua morte. Abalado, Omar pensou em não atuar, mas sua avó definiu que a família foi lá para vê-lo, e seria certamente o último desejo de Enio que Omar jogasse por eles. Assim, Omar jogou e cobrou o pênalti, convertido: na comemoração, apontou para os céus, foi abraçado e chorou bastante.
O merecimento da vida daria a classificação e talvez a taça do Campeonato Mundial dos Seres Humanos para Omar Pérez na data de ontem, mas ainda havia o Vélez, doido para espantar de vez o fantasma de maio. E atacou, o Vélez; amassou o Santa Fé no seu campo, trocava passes, desesperado e assertivo ao mesmo tempo.
Estávamos nos acréscimos quando houve o penal em Augusto Fernández, do Vélez. O gol que Silva perdeu na Libertadores, redivivo. Não havia Silva, porém – havia Juan Manuel Martínez, que converteu. Espantado o fantasma. Surtada a torcida. Um Chapolim subiu a arquibancada. Até mesmo o fleumático Ricardo Gareca vibrou. Três a dois, acabou o jogo, Vélez classificado.
O Vélez aguarda o vencedor de LDU x Libertad – a Liga tem vantagem, venceu o primeiro confronto por 1-0. O Vasco pega o vencedor de Universidad de Chile e Arsenal de Sarandí, a ser definido dia 17 – a vantagem é da U de Chile, que venceu o primeiro confrontou por 2-1 no Viaducto.
Até a vitória,
Luís Felipe dos Santos


Na real, Vélez espera por LDU ou Libertad. Isso só muda se o Arsenal passar pela U, já que os dois argentinos obrigatoriamente se matariam na semi.
ehehehe, international superstar soccer não tinha ano no título, só os hacks sudacas, como o ronadinho soccer (noventioxo) e o futebol brasileiro (novientixieish)
interpretei errado a tabela, meu deus. Corrigi.
A página da Conmebol está com os cruzamentos errados. Só pra manter o costume.
sim, eu acreditei nela.
Só time fodaço nas finaleiras, papo de recalcado dizer que este campeonato não tem prestígio.
Aguante LIGA!!!
OT
No ClicEsportes, agora:
“O clube paulista [nota: Corinthians] não estaria tão disposto a investir no jogador quanto o Grêmio promete fazer”
Me digam se não é para estrar preocupado?!
Santa Fé na Libertadores (?)
Sugestão de pauta: gostaria de ver um post impedimentensse com a cobertura(ui!) do partidaço que o Romário fez naquela audiência com o Ricardinho e o Jerome Valck.
Grato.
Vi o título e só consegui pensar na V Impedcopa.
True story.
Se alguém disser que não se emocionou lendo isto, é o maior dos mentirosos do mundo.
Que a minha senhora (que é vascaina) não me ouça. Mas torcerei muito pelo Velez nesta Sulamiranda.
O anônimo do #11 sou eu. A pressa é mesmo uma merda, viu… rs
Elogiar o Impedimento está se tornando cada vez mais repetitivo. Baita história.
#12 Ah, Alexandre: o Teixeirinha não era stêncil, era CORTADO A LASER mesmo. Fiz aqui na firma. (vi teu tweet)
Infelizmente esqueci o trapo lá na cancha.
#14
A alta tecnologia em prol do que é realmente importante! hehehehehehehe…
Um post sobre o dia do fico do Neymar cabia, hein. Por mais que eu odeie concordar com a Globo, eles tem razão em dizer que foi um contrato histórico.
E aquela vontade de virar a casaca pro Santos…
#17
Virar a casaca? Fraco! Hahahahahahahahahahahaha…
Omar Pérez, mais um dos imortais das canchas de nosso continente. Que sensacional. Que grande drama (no melhor sentido da palavra) foi essa partida.
Impedimento > Imprensa chulé ducarai
# 6
Sinceramente, eu sempre considerei a Sula meio que um torneio de consolação que não servia para muita coisa, apenas para salvar o ano de times que estão mal no segundo semestre (vide o Goiás do ano passado)…
Mas acho que, como não gosto nem um pouco de campeonato por contos corridos, jogos como esse do Vélez mostram a SUPERIORIDADE de qualquer formato de torneio com mata-mata (pode ser copa, campeonato ou o que quiserem inventar)…
Com meu time apenas fazendo amistosos desde setembro, para mim a Sula já tá dando muito mais vontade de assistir e acompanhar do que a Taça Guanabara + Corinthians que se transformou o Brasileirão…
A Sulamericana tem EMULADO jogos e emoções que a Libertadores trazia pelos idos dos 90s e 80s (nos 70s eu não era nascido) com goleadas, viradas impublicáveis, expulsões, emoções, que só são páreas as das primeiras fases da COPA DO BRASIL.
Está se tornando a competição preferida pra ver jogos como isento (pior adjetivo)
“uma reclamação desproporcional, um silêncio gelado no Fortín.”
Porque nao me surpreendo. Se algum jogador da equipe adversária manda a torcida do Velez pra puta que pariu, os fortineiros amargos já se calam. Pecho frios.