Aí ontem o Santa Cruz ganhou de 0 a 0 do Treze de Campina Grande, passou pras semifinais da Série D e, consequentemente, garantiu o acesso para a Série C. Finalmente. FI-NAL-MEN-TE. Acontece que não sei se foi a demora em subir (três anos vendo seu time jogar a Série D não é para os fracos de coração), não sei se foi a certeza de que era o mínimo a ser feito (ali não é lugar pro Santa Cruz) ou o joguinho meia boca terminando sem gols, mas faltou emoção. A expectativa foi muito melhor que a realidade, eu achava que esse acesso seria mais legal. Mas nem de longe avistei alegria parecida com levar o Pernambucano em cima do nosso maior rival (e tirando onda). Nem muito menos foi como lá em 2005, subindo pra Série A.
Então, é isso. Ficou o “quero mais” bamboleando na boca vazia porque a gente merece mais. A garganta ficou vazia também, e a gente só queria encher ela de gol. Não dá pra dizer que estar na C é bom, mas não dá pra não comemorar um tiquinho, depois de tanta agonia. A festa de verdade ficou pra depois.
Vamos arrodear mais um poquinho até voltar ao ponto onde essa história começou: a Série A. Três rebaixamentos seguidos e três anos no fim de linha dos campeonatos de futebol têm que ser enterrados com uma volta completa, um círculo perfeito, um fim de ciclo.
Como nada nunca é só desgraça, uma tesouro apareceu na lama desse mangue: nossa torcida.
Tá aí, em todo folhetim que se preza, pra qualquer um ver: a maior média de público de todas as séries, torcida apaixonada, fenômeno, recordes e afins. Foi a coisa mais bonita desses três anos de Série D. Cada vez que alguém dizia a um tricolor “mas seu time tá na quarta divisão!”, aumentava a vontade de ir pro estádio. Aí a torcida lotava a arquibancada, quebrava mais um recorde e começava tudo de novo.
Foi também um jeito de segurar a autoestima, sobreviver a tanta queda e tanto coice, terapia de grupo na arquibancada do Arruda. Um jeito de provar que a gente era especial, mesmo no fim de linha, mesmo sem conseguir pegar o bonde pra sair de lá. “Estamos na quarta, mas todo mundo vê que a gente é a torcida mais apaixonada do Brasil” e começava tudo de novo.
Aí além de alimentar a própria torcida, o bicho começou a alimentar o clube também. O borderô de cada jogo garantia as despesas de um mês inteiro da administração. A torcida via que era bom pro clube, que podia ajudar e começava tudo de novo.
Uma menção especial a Zé Teodoro, o técnico, que foi leal, realista e aguentou o tranco, desde o Pernambucano até aqui. Não abandonou barco e cumpriu o que prometeu. Zé, TeAdoro!
Agora a gente já aprendeu o caminho. Já não faz tanta diferença o título, o bom mesmo foi voltar pros trilhos. Tem uns morrotes pra subir, mais uns recordes de público pra quebrar na trilha até a Série A. Não que a gente precise, mas só pra gente provar que pode, porque pode. Só porque a gente tem direito. Já aprendi, nessa subida, que vale mais o caminho. E bem acompanhado assim, 60 mil no estádio, milhões espalhados por aí, o torcedor do Santa Cruz topa qualquer viagem.
A foto é de Antônio Carneiro.
Catarina Cristo


E resta apenas um brasileiro vermelho-e-preto-azarão.
Santa Cruz foi à C, Joinville, à B. Falta o Xavante.
saudades do meu beira-rio assim…
Maior torcida do universo.
Emocionante! É impossível não torcer para o Santinha, do amigo Artur Perrusi. Fiz isso mesmo em 2005.
O futebol brasileiro é maior que 20 clubes (12, 5 ou 2).
P.S.: Santinha segue vivo no Brasileiro de 2014!
Mirabel de pobre só cai com a parte de chocolate para baixo. O tricolor baiano saiu da série C com 64 mil torcedores na finada Fonte Nossa e 7 mortos para manchar a tão bela festa naquele nonsense 0 x 0. O orgasmo da subida sempre acaba com todo o tesão da expectativa da campanha. Parece que o melhor da festa é esperar por ela! Parabéns ao Santinha e à Catarina Jesus Cristo!!!
Santinha fuderosão eterno. Só tenho isso a dizer.
Homem que é homem só torce para um único time, mas em verdade lhes confesso: Neste domingo fiquei meio aviadado e, além de torcer (quase escrevo sofrer) pelo Brioso, torci pelo santinha também.
Avante e para o alto, Catarina.
parabéns aos santacruzenses? pelo logro!!!
como bem foi dito o pior de todo este inferno não eh a série, pois afinal o santa esta na elite de seu histórico campeonato, o Pernambuco e o torneio ideal de todo clube sudaca eh La Copa, pero sabemos quem vinha ganhando tal campeonato, daí este ano tudo parece estar mudando e isso eh muito legal…
quanto aos ótimos publicos, eu penso que apesar de ser um torneio de baixissimo escalão o que em realidade desistimula o torcedor médio, pode em circunstância como eu acredito ser a atual, mobilizar os viventes pois afinal eh o único torneio em disputa no periodo vigente e seu regulamento favorece ao apelo pois cada jogo vale muito, mas eh claro que sei que o santa como alguns outros clubes populares tem um aguante diferenciado, ateh mas que alguns clubes mas populares como Cruzeiro, São Paulo e outros.
e o sancho arrematou a situação com seu coments #4, pena eh que nós não capacidade de restaurar este modelo que além de ser o modelo real eh o que melhor explora a capacidade futebolística neste continente regido pela CBF
pela volta do torcedor mais corneta e engraçado de assistir na tv:
SUPER SANTA
um ponto de vista BANHADO na contradição e por isso resplandecendo autenticidade. bá, lindo, parabéns, catarina.
agora (e sempre):
“Nem muito menos foi como lá em 2005, subindo pra Série A.”
“Já não faz tanta diferença o título, o bom mesmo foi voltar pros trilhos.”
“Já aprendi, nessa subida, que vale mais o caminho.”
Brinde-nos com alguns traços sobre aquela volta, q se aproxima novamente o 26 de novembro. Pernambuco em chamas.
O ciclo se fecha pra um e se abre pra outro, nesse bordel de movimentos peristálticos em crise existencial.
[absolutamente nenhum sentido]
NO ES POSIBLE!!!!! TCHECO QUE HACES??????????
http://www.manyacapo.com/sitio/images/stories/el_club/jugadores_historicos/morena/morena82.jpg
donde estás iu és ei?
http://sul21.com.br/jornal/2011/10/plano-iraniano-para-atentado-nos-eua-levanta-duvidas-em-analistas/comment-page-1/#comment-24410
Com todo respeito à torcida do Santa, quero ver manter essa média pagando R$ 40 pelo ingresso mais barato.
Re 13
Antes, tem que ver o equivalente a R$40,00 em São Paulo, para a Série A, para um jogo de Série D no Recife…
digo e repito: em 2015, CORTÊS presidente da CBF, com o fim desse negócio de pontos corridos, o título do brasileirão da primeira divisão será disputado num quadrangular final fulminante entre CRB, SANTA CRUZ, VITÓRIA E PORTUGUESA. aguardem e confiem.
Por uma série B com Boa, Ipatinga, Cruzeiro, Atlético e América!
Vitória, Santa Cruz, Fortaleza e CRICIÚMA são times que eu queria ver sempre na Primeira.
Que torcida foda esta do Santa, pelamor. Acho que foi sobre a torcida do Racing que disseram que torcia não para o time, mas para a própria torcida.
Sensacional! Exemplo para algumas torcidas que, quando a coisa começa a apertar, abandonam o barco (ou melhor, o time…)!!!
Dá-lhe, Coral!
Eu era Santa Cruz e não sabia.
Data venia, torcida mais apaixonada do Brasil é a do Bahia, que tb viveu o fundo do poço carregando multidões impressionantes – que superaram até as médias daquela arrancada do Flamengo de Joel Santana -, que tem a segunda maior média histórica de todos os campeonatos brasileiros, perdendo apenas pro Flamengo, mesmo sendo um clube que nunca frequentou o topo com frequência.
Mas passada a necessidade de brandir este meu orgulho, dou os parabéns ao Santa, clube pelo qual a torcida do Bahia em sua maioria tem simpatia, em virtude das obvias semelhanças (perfil popular, torcida com um bando de maluco e figura, a fidelidade como uma bandeira e marca).