Horas depois de incessantes baterias de fogos de artifício iluminarem o céu uruguaio, em Montevidéu e nos demais departamentos, as comemorações se estendem – são festejos, homenagens e regalos para marcar o aniversário de 120 anos do Peñarol, ainda que a data de fundação, contestada por parte da imprensa e pelos torcedores do Nacional, faça parte de uma das polêmicas mais repetitivas do futebol local. A questão é que o dia 28 de setembro de 1891 corresponde à fundação do CURCC, um clube de ferroviários que seria o embrião do Peñarol; há quem diga, no entanto, que a fundação real remonte apenas a 1913 e que todo o resto seria um artifício para se tornar o decano do futebol uruguaio. A multidão adepta da versão de 1891, portanto, hoje poderá viver uma quarta-cheira cheia, com atividades mil no Bairro Peñarol, localidade onde o clube surgiu, e que culminarão no amistoso comemorativo contra o San Lorenzo de Almagro, às 19h30, no Estádio Centenário.
Mais do que festejar uma data redonda com a pompa e o orgulho de ser tido como o maior clube sul-americano do século XX, hoje o Peñarol conta com mais justificativas para jogar foguetes aos céus. Depois de temporadas cinzentas que se seguiam desde o final dos anos 1990, a sensação atual é de um clube que pôde voltar a se encontrar. As equipes frouxas, perdidas no certame local e ofuscadas pelos cuadros chicos do país, deram lugar, novamente, a um Peñarol forte que em um par de anos voltou a disputar o posto maior do continente e multiplicou o seu quadro social. Hoje à noite, no Estádio Centenário, o jogo terá o encontro entre o orgulho e o renascimento mencionados – quem entra em campo é o time titular, mas estão previstas as participações de nomes como Fernando Morena e Pablo Bengoechea, assim como de três sócios sorteados, para os últimos minutos do encontro.
Imagino a sensação dos velhos torcedores ao enxergar Morena, o maior goleador da história do campeonato uruguaio e o segundo maior artilheiro da Libertadores da América, outra vez no gramado do Centenário, aos 59 anos; e o mesmo com “El Profesor” Bengoechea, campeão da Copa América com a Celeste em duas ocasiões e que, aos 46, talvez ainda mantenha a genialidade nos tiros livres. Antes da partida, há uma prestação de contas necessária com os que fizeram a história do clube – receberão homenagens os campeões das cinco Libertadores, dos dois quinquenios uruguaios, períodos em que o Peñarol foi campeão local em cinco anos consecutivos, e dos três títulos mundiais. Haverá, também, aplausos para Ghiggia e outros históricos; e, nas tribunas, o bandeirão que encantou o continente na última Copa outra vez será estendido.
Os contratados para o atual torneio Apertura, portanto, chegaram ao clube em um momento extraordinário para vestir a jaqueta aurinegra – como é o caso do brasileiro João Pedro, talvez o maior destaque individual da equipe até aqui. João Pedro Geraldino dos Santos Galvão, meia de 19 anos, só não é um desconhecido porque passou o primeiro semestre de 2010 no profissional do Atlético Mineiro; foram quinze partidas e nenhum gol. Logo foi vendido ao Palermo e então estranhamente emprestado ao carbonero. Com Diego Aguirre, hoje no Al-Rayyan, iniciou as primeiras partidas atuando como volante. Gregório Perez, o novo técnico, posicionou Pedro bem mais próximo ao arco adversário – e desde então passou a desequilibrar. Nas últimas três partidas, contabiliza o gol de empate no 2-2 contra o Racing, uma assistência para a vitória sobre o Danubio (2-1) e dois gols e outra assistência no 4-0 diante do River Plate, que até então dividia a liderança do torneio com o aurinegro.
Se não for novamente raptado pelos italianos, o que parece inevitável após um bom semestre, Pedro pode se juntar aos brasileiros bem-sucedidos do Peñarol. A lista já conta, entre outros, com Jair, atacante forjado no Inter e que esteve no carbonero de 1982 a 1984, e Sílvio Mendes, centroavante que, após um bom início em 2007, deixou Montevidéu para assinar com o Juventude. Desta vez, as condições são todas favoráveis. Pedro já teve o nome gritado pela barra da Tribuna Amsterdan, pode ser campeão logo no primeiro semestre no Peñarol e, em uma só noite, testemunhará grande parte da grandeza conquistada pelos aurinegros em 120 anos – a noite em que Alcides Ghiggia, Fernando Morena, Pablo Bengoechea, Rúben Paz, Marcelo Otero, Darío Rodríguez e Gregório Pérez se reencontram no Estádio Centenário.
Iuri Müller



como es GRANDE!!!!!!!! MANYA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
de pie señores, el mas grande festeja… vamoquevamo Pedrinho…
Mas que grata surpresa, muito obrigado, impedimento!! rsrsrs
Sucesso ao xará carbonero!!
dale alegria alegria a mi corazon…………………. CHUY CARBONERO