El amor después del amor

Mais de duzentos jogos depois, nos quais marcou quase cem gols, Antonio Pacheco se despediu definitivamente do Peñarol na última semana. Não como nas outras vezes, quando deixou Montevidéu para atuar na Europa – no início de 2001, foi transferido para a Inter de Milão; em 2003, depois de um breve retorno, emigrou para defender o Albacete. Não se trata, também, de uma possível aposentadoria. A questão é que o técnico Diego Aguirre afirmou que não pretendia contar com Pacheco entre os seus titulares; a diretoria não interferiu e o goleador de dois dos últimos três campeonatos uruguaios não defenderá mais o Peñarol. Sem cerimônias ou partidas de despedida, o último grande ídolo carbonero se desligou do clube.

Foram sete títulos e a glória de ser dono do único nome estampado nas camisetas do Peñarol à venda para a torcida; em tempos de um rodízio imparável de jogadores mesmo no Uruguai, Pacheco acumulou mais de uma década com a camisa aurinegra nas costas. Para Aguirre e muitos cronistas, o seu futebol estava fora de época – atacante rápido e driblador nas categorias de base, logo passou à última posição do meio-campo, onde desenvolveu o passe e a visão de jogo. Na última passagem, tornou-se centroavante e, na grande área, soube ser tão importante como no ápice da sua carreira. Em entrevista, disse que no momento “lo que me duele es que no pude despedir de la gente”.

A saída de Pacheco segue um desrespeitoso padrão futebolístico em que se inclui o Peñarol. Das maiores referências do clube, pouquíssimos tiveram uma partida de despedida ou mesmo uma saída honrosa. Havia sido assim com os dois maiores artilheiros da história da Copa Libertadores, Alberto Spencer e Fernando Morena, e inclusive com o próprio Diego Aguirre, hoje responsável pelo desfecho de Pacheco. Pablo Bengoechea, um dos poucos agraciados, ganhou um monumento no centro de treinamentos do clube, em Los Aromos – quando da homenagem, disse que “esto es demasiado para una sola persona”. O atual desleixo levou a torcida do Peñarol a se reunir na sede do clube, no final de julho, para homenagear o ex-capitão Pacheco e protestar pela forma com que ocorreu o desligamento.

Mais do que a saída de Pacheco do Peñarol, o grande fato do mercado de passes do Uruguai foi a escolha do jogador pelo Montevideo Wanderers. Mesmo com ofertas de clubes estrangeiros, “el Genio” optou por seguir vivendo em Montevidéu e aceitou a proposta do clube “bohemio”. Uma movimentação incomum marcou o primeiro treino do atacante no Estádio Parque Viera. Dezenas de jornalistas se fizeram presentes – o técnico Daniel Carreño, visivelmente contrariado, chegou a dizer que metade deles não saberia dizer contra quem o Wanderers jogaria na estreia do campeonato – e, nas tribunas, destacavam-se faixas e camisetas em amarelo e preto. Para aplaudir o jogador, torcedores do Peñarol rumaram ao Prado e invadiram o treinamento do Wanderers, o que desgostou parte da tradicional torcida da casa.

Na foto acima, pode-se observar o peculiar panorama futebolístico do Prado montevideano. Os três clubes do bairro ergueram seus estádios em uma mesma região, distantes poucos metros um do outro. Na foto, a cancha à esquerda é a do Bella Vista (Parque Nasazzi), a do alto a do Wanderers (Parque Viera) e, à direita, pode-se ver a do River Plate (Parque Saroldi). No velho Wanderers, que já soma 108 anos de história, despontaram jogadores como Obdulio Varela, Enzo Francescoli e Pablo Bengoechea. O site do Wanderers lembra que não só grandes como Pacheco despediram-se do futebol no clube: o atacante Héctor Scarone, campeão pela Celeste nas Olimpíadas de 1924 e 1928 e da Copa de 1930, vestiu a camiseta negra e branca depois de largas temporadas no futebol europeu.

***

Sem Pacheco na delegação, o Peñarol optou por realizar a pré-temporada longe da República Oriental, viajando sem trégua pela Europa. Em sete partidas, venceu três, incluindo um 2-0 sobre o Levante, ocasião em que milhares de uruguaios acompanharam a equipe em Valencia; perdeu duas (3-0 para o Porto e 4-0 para o Málaga) e ainda empatou com o Cesena e com o Napoli. Além de ser uma viagem evidentemente menos charmosa do que excursionar por Florida, Durazno e Cerro Largo, a jornada europeia acabou por desmantelar por completo a equipe vice-campeã da América.

Da equipe titular na maioria das partidas da Libertadores, apenas quatro permaneceram no clube: os zagueiros Alejandro González e Carlos Valdéz, o lateral Darío Rodríguez e o volante Nicolás Freitas. As negociações com equipes europeias foram facilitadas pela presença do clube no continente, e por lá ficaram o zagueiro Guillermo Rodríguez e o meia Luis Aguier. Sebastián Sosa foi para o Boca, aparentemente para ser reserva de ORIÓN, Martinuccio para o Fluminense e Juan Manuel Olivera para o futebol árabe, entre outros titulares e suplentes que desertaram das fileiras aurinegras.

Entre as reposições, estão o veterano centroavante Marcelo Zalayeta, o lateral das seleções de base Adrián Gunino e o atacante Maximiliano Pérez, ex-Fénix, destaque da pré-temporada. Por conta do último jogo na Europa, justamente a goleada frente ao agora galáctico Málaga, o Peñarol teve a estreia no Apertura adiada. O campeonato, que iniciou no sábado, já teve: Liverpool 1-1 Racing, Defensor 2-0 Rampla, El Tanque 0-2 Fénix, Danubio 1-0 Wanderers (ainda sem Pacheco), Cerro 3-1 Cerrito (confronto que já nasceu como um clássico), Cerro Largo 1-0 Rentistas e, na estreia de Marcelo Gallardo como técnico, Nacional 3-3 River Plate.

Iuri Müller

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11 Respostas a El amor después del amor

  1. arbo diz:

    “Douglas Ceconello:
    Aproveitando o lance da Ipanema, anunciamos que o @impedimento vai cobrir o campeonato FRANCÊS. E @dbcassol cortou o cabelo igual ao Neymar.”

    Leandro Godinho: “‎Douglas Ceconello aderiu ao VEGANISMO.”

    Arbo: “‎Carlos Tettamanzy irá à próxima impedcopa levando um trapo AGUANTE TERNURA”

    Volkart: “E o Prestes tá no Portão 8 xingando o Andrezinho hehehehe”

    Douglas Ceconello: “uhahasu E Rob Rocker foi visto com uma garrafa de LEITE no pós-pelada de quinta-feira.”

    malaê, iuri, já leio, tive q postar isso laskdlgk

  2. Mateus diz:

    Cerro x Cerrito…

  3. FERN diz:

    apesar do chiste do iuri e bom aclarar os leigos que Cerro-Rampla é o clássico real, aliás o mas popular entre os chicos de mdeo, haverá outro Cerro para trocadilhos este ano, o Largo…

    o rival do Cerrito se ñ me engano é o Rentistas

  4. Chico Luz diz:

    grande texto, Iuri. Tava sentindo falta de um PANORAMA oriental mais detalhado.

  5. douglasceconello diz:

    Que coisa lamentável este negócio do Pacheco, menos triste apenas que a QUERMESSE para negociar na Europa.

  6. Cícero diz:

    pelo menos tem o Zalayeta. Esse cara aí faz as torcidas dos grandes europeus terem pesadelo. Teve uma época que ele era tipo um Andrézinho da Juventus, entrava e PÁ, resolvia.

  7. beretta diz:

    Só li agora, que lamentável. Pacheco foi minha primeira contratação no FM 2011, pra fazer a dupla infernal de meio-campo com D’Alessandro.

  8. Fito diz:

    r.8

    http://www.youtube.com/watch?v=RfYmajiaLws

    8 Amargo

    ouve a música e te adocica

  9. Marpa diz:

    Virou impedMATE então ? Só falam em amargo pra lá, amargo pra cá.

  10. J Petry diz:

    Aliás, que raio é isso de amargo? Nunca entendi o que quer dizer mas sempre tive vergonha de perguntar…

    http://es.wiktionary.org/wiki/amargo
    1 – Que muestra uno de los sabores elementales, propio de los alcaloides y en general desagradable, producido por la proteína gustducina
    2 – Figurativamente, que provoca desagrado, tristeza o aflicción
    3 – Dicho de una persona, que provoca una reacción tal en su trato (Sinónimos: acre, agrio, mordaz)
    4 – Que manifiesta una reacción tal (Sinónimos: afligido, alicaído, triste)
    5 – Por extensión, que no tiene valor para enfrentarse a las dificultades o para defender sus ideas (Ámbito: Argentina; Uso: Coloquial; Sinónimos: pusilánime).

    Não faz sentido nenhum com o uso que estão dando, me parece.

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