Existem muitas maneiras de se assistir um clássico. Neste domingo, 26 de junho, aniversário de 60 anos de mamãe, descobri que em termos de futebol, a história te alcança mesmo quando você não se esforça muito em fazer parte dela.
Sim, porque eu tinha ingressos comprados para o jogo. Mas sabia que não iria desde antes de comprá-los. Primeiro porque me recuso a entrar no Pacaembu enquanto Andrés Sanchez e sua corja fizerem parte da diretoria do Sport Club Corinthians Paulista. Segundo porque tinha jogo do Autônomos FC marcado no infeliz horário de 16h. E terceiro porque meu par romântico já estava cansado de tanto futebol em tão poucos dias de estadia em São Paulo. Então, quando recebemos a notícia do cancelamento do jogo do Auto, resolvemos ir prestigiar e se divertir na 15ª Parada LGBTT de São Paulo.
Graças à inteligentíssima elite dirigente da cidade, a parada acontecia a poucos metros do estádio. E em meio a drag queens, trios elétricos, álcool, música eletrônica e muita polícia, íamos os dois, dançando e cantando e meio que cagando pro jogo. Subíamos a rua da Consolação no sentido contrário ao dos carros, e por mais alheio ao jogo que tentássemos fingir estar, a cada boteco a tentativa de descobrir se havia um televisor com imagens do Pacaembu: nenhum. Parecia que não era mesmo dia de saber de futebol.
Lá pro fim da parada, entretanto, tudo mudou. Um dos muitos casais ao nosso redor começou a se agitar após um telefonema, e logo pude ouvir gritos de UM A ZERO CORINTHIANS, CHUUUUPA! TIMÃÃÃO EÔÔ!
Abri um sorrisinho de felicidade discreto. Há coisas que são onipresentes. E nem precisam de dois testamentos pra tentar se afirmar.
Cinco minutos depois, numa rua lateral, finalmente um boteco que exibia lances alvinegros. E então “espera amor, deixa só eu ver esse escanteio.”
E vi. Vi Rogério Ceni se estatelar mais uma vez no chão frente ao manto alvinegro na vã tentativa de impedir que Liédson desse um toquinho jocoso na pelota para fazer 2 a 0.
Há coisas que não mudam. A comemoração de um gol corinthiano é a mesma na garganta de um homem homossexual, de uma mulher hétero, de uma drag queen ou de um casal lesbiano. E boa parte das vozes felizes na Consolação reforçaram ainda mais felizes o grito que vinha do Pacaembu.
O terceiro gol aconteceu já na Rua Augusta, bisbilhotando uma loja qualquer. Me veio através da ligação de um dos vendedores pra um amigo são-paulino só pra dizer que “aí mano, aqui é Corinthians, três a zeeeero!”.
Acompanhar o clássico em diversos ambientes cria uma impressão diferente. Um gol em cada parada. Um gol em cada lugar. Nada mais simbólico para um dia em que se comemora a diversidade na cidade. O time do povo parecia estar sintonizado e com vontade de fazer um gol pra cada uma das cores do arco-íris.
Chovia.
Água, purpurina e gols.
Fazendo a transição da avenida Paulista para a Doutor Arnaldo, a poucos metros do Pacaembu, deu pra escutar em uníssono os 4 a 0. Nenhum carro de som seria capaz de abafar ou fazer confundir a comemoração de um estádio cheio chegando aos ouvidos de um torcedor velho de guerra.
Na verdade, era o clássico quem me acompanhava.
E foi no ponto de ônibus que, bem pouco depois, veio a comemoração do quinto. Um casal gay corinthiano brincava com outro casal gay são-paulino, “cinco a zeeeero! Cincoooo! Frango do Rogériooooo”.
Há coisas que não mudam. Mesmo.
Aí o jogo acabou e outras coisas que também não mudam, como a homofobia, começaram a dar as caras. Um dos casais gays resolveu desistir de esperar a condução junto aos torcedores, porque da última vez passaram maus bocados. O outro migrou das risadas para o silêncio e a cara fechada. Olhares de canto de olho se viam aqui e ali.
Até que um travesti passou dançando ao som da música que não mais se ouvia e escutou de um brucutu:
- Ae bixarada, não foi de quatro mas foi de cinco hein?
Ao que de bate-pronto respondeu:
- Mona, hoje o mundo é Coringay! Vai Corinthians!
P.S.: No final, o domigo alvinegro da diversidade teve mesmo um gol para cada cor do arco-íris, já que o Ceará meteu 2 a 0 no Palmeiras e não deixou a torcida cincolor sozinha na hora de pintar o sete.
Kadj Oman

textinho meio gay, hein ô.
texto muito massa, danilo!
muito massa o 2° gol do liedson. e golaço o do danilo. o frangaço do bambi-mor então… sem comentários.
se eu tivesse aí tinha pegado seus ingressos. aqui em salvador não passou em nenhum canal – acompanhei o jogo igual você.
ainda bem que minha promessa foi não ir ao paca enquanto o adriano jogasse. mais fácil de cumprir do que a sua
outra: kadj oman, tem algum link pra fiel chamando o ceni pra bater a falta no 2T?
A coisa mais ordinária do final de semana foi o pessoal fo São Paulo usando a expulsão (justa) de Carlinhos Paraíba como desculpa para levar CINCO a zero.
E ainda teve jornalistas tentando dizer que não foi frango aquele troço medonho que o Ceni proporcionou.
Ô Anzhi, gostaria de uma justificativa para seu comentário tosco.
Obrigado.
#3 Não sabia que a torcida do Corinthians tinha feito isso. Gostaria d ever esse vídeo também.
Sensacional o texto. Eu tava de plantão e, mesmo com o Palmeiras apanhando, não consegui esconder um que outro riso depois do CHESTER engolido pelo amigo do Pernalonga.
Ai meu deus, ele foi da parada gay!
Prendam ele! Futebol é pra macho!
Eu até achei que a comoção seria maior do que a descrita no texto. Estar na Parada Gay enquanto o São Paulo é goleado por um rival deve ser igual só que ao contrário sendo palmeirense na Achiropita, corintiano no Carandiru… enfim.
eu não contei, mas segundo um comentarista sãopaulino chatíssimo (rica perrone) até a expulsão de carlinhos paraíba o corinthians contava 12 finalizações e o são paulo apenas 1.
mas já virou moda responsabilizar a arbitragem pelas vitórias do corinthians…
um gol para cada libertadores que o corintiano viu o rival ganhar…ah não, agora lembrei que foram 7.
Pra que vocês querem ficar entre os primeiros? Pra gente rir de vcs ano que vem de novo? Acorda corintiano, vc não tem time pra ganhar nem o paulistinha.
LA ADMINISTRACIÓN (?) do Impedimento bem que poderia começar a dar uma supervisionada nos comentários, não? =D
Caralho, quanto nego recalcado.
No mais, bom texto
Tocar 5 no rival é motivo para flauta eterna, ainda mais com requintes de crueldade como a penosa do Bambi-simbolo.
Mas o texto é bem ruinzinho, ainda mais se considerar a qualidade dos outros textos do site.
VALE CAPS LOCK POIS FOI ÚNICO:
MELHOR QUE TODOS OS GOLS FOI O SÃO PAULO SE RECUSANDO A DAR A SAÍDA DEPOIS DO QUINTO GOL! SE RECUSANDO!!! PODEM VER!!! DEPOIS DE TODA A COMEMORAÇAO, UNS 2, 3 MINUTOS, OS DOIS TIMES SE POSTARAM PRA DAR A SAÍDA E A BOLA AINDA TAVA NO GOL DO SPFC. DEPOIS DE MUITA ENROLAÇÃO, CHUTARAM PRO MEIO, MAS ELA PASSOU PRO LADO DOS CORINTHIANOS. O SHEIK DEVOLVEU ELA E FINGIRAM QUE NÃO VIRAM, DEPOIS O JORGE TOCOU DE NOVO E DEIXARAM PASSAR, DEPOIS ALGUÉM TOCA E DE NOVO IGNORAM A BOLA, AÍ, FINALMENTE, O LIÉDSON PEGA A BOLA NA MÃO E CRAVA NO CIRCULO CENTRAL: “VAMO JOGAR!”.
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!
ISSO FOI O MAIS FANTÁSTICO, MAIS UM POUCO E SAÍAM CORRENDO DE CAMPO, PEDINDO ÁGUA ATÉ AS ÚLTIMAS, HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!
ETERNO FREGUÊS!
[Ficou meio perdido nos comentários de um post já ANTIGO, então aqui vai:]
Alguém aí em cima sugeriu verificar somente os confrontos diretos entre os 12. Com a base de dados que eu montei, ficou fácil buscar. Num total de 249 confrontos:
1º Internacional: 66,7%
2º Santos: 58,8%
3º São Paulo: 55,3%
4º Botafogo: 55,2%
5º Flamengo: 54,8%
6º empate absoluto entre Palmeiras e Corinthians: 54,3%. Mas no confronto direto entre os dois, Palmeiras 3×0!
8º Grêmio: 47,0%
9º Cruzeiro: 44,9%
10º Fluminense: 43,8%
11º Botafogo: 38,7%
12º Atlético: 27,5%
Sensacional!
Botafogo em 4º ou 11º? E o Vasco?
Pingback: Mesa dos 5 « Não pára de lutar!
Não me iludi com as 5 vitórias seguidas, o time do São Paulo é isso aí, e podia rolar um protesto riverplateano contra o Juvenal, mas duvido. Ele vai continuar lá, discutindo política com a CBF, Globo, Governo, Prefeitura, Corinthians, FIFA, ONU etc. Tenho cada vez mais certeza que o tri do brasileiro foi graças ao Muricy e à base do time campeão mundial. A cada ano as contratações pioram, e agora o time depende dos jovens da base.
Bom texto!
#18: Bem notado! 10º é o Vasco e 11º é o Fluminense! As porcentagens são aquelas mesmo.
Genial o texto! Vai em sentido contrário a um monte de piadas de tom preconceituoso que rolaram hoje. “Mona, hoje o mundo é Coringay! Vai Corinthians!”
#5… não sei porque voltei abrir este post.
Textinho meio viado, hein ô.
#1 e #23
Viado, gay e bichona louca.
Sem nenhum problema com isso.
Aliás, 1 + 23 = 24…
Comentários agregados meio gays, hein, Anzhi?
Não entendi o #16
#26: refere-se ao post http://impedimento.org/2011/06/21/afinal-quem-e-o-mais-copeiro/
#27
agora entendi
No mais, CORINTHIANS maior que o mundo
Rogério Ceni que engula sua EMPÁFIA junto com as penas que Jorge Henrique mandou por baixo das pernas dele
#12
Aliás! Sugiro a criação de uma confraria, só os membros podem comentar, nunca pensei que fosse acontecer, mas ta ficando complicado ler os (alguns) comentários.
Boiolice esse negócio de brigar nos comentários do Impedimento.
enquanto o jogo rolava os curintianus ja faziam a festa !
#27
Um problema do teu estudo é que o Brasil tem uma realidade futebolística diferente do resto do mundo.
Por exemplo, o Corinthians tem 4 Rio-SP. Não é uma competição nacional, mas por muito tempo teve grande importância nacional, por serem SP e RJ os eixos primários do futebol no Brasil.
Pegando só competições nacionais, a tabela ignora metade da história do futebol aqui no Brasil, e isso é muita coisa. Se tiver saco, pege nesse período campeonatos regionais/estaduais de importância pros 12 grandes e faça a média. E depois dê peso pras competições, porque claro que 3 eliminações em Libertadores tem peso maior que 3 eliminações em campeonato estadual.
De toda forma, legal ver números sendo usados pra coisas interessantes.
Outra possibilidade BEEEEM mais complicada é pegar o total de jogos eliminatórios que cada equipe jogou em TODA a sua história, independente de torneio, e ver percentualmente quantas levou.
Afinal, ser copeiro é ser copeiro em qualquer competição, não?
Eu gostei do texto, mas se fosse comigo… poderia estar rolando um show do Foo Fighters ou coisa que o valha, eu tocava minha namorada debaixo do braço e ia pro estádio ver Palmeiras X corinthians.
#33: Aí fica complicado comparar times de estados diferentes. Procurei pegar competições que todos pelo menos poderiam vir a jogar.
#35
Concordo, mas é que nem sempre a fama de copeiro vem das competições nacionais e internacionais apenas.
#34
Eu não ia de qualquer jeito, não entro no Pacaembu enquanto o Sanchez estiver lá.
É um BÁLSAMO que tu tenha esta postura, Mandioca. Também desprezo totalmente o Sanchez.
Postar um texto como esse sempre vai atrair as antas homofóbicas tipo esse Anzhi aí
No mais, parabéns ao Impedimento por se mostrar um site sem preconceitos e parabéns a maioria dos comentáristas, pois, apesar de uns e outros, o nível baixou muito menos do que aconteceria em outros sites de futebol…
OTIMO TEXTO!!!
eu sou suspeito pq qualquer texto que se escrever depois de um frango do NARIGUDO MAL CARATER vai ser um otimo texto….
e que os homofobicos se explodam!
OTIMO TEXTO!!!
eu sou suspeito pq qualquer texto que se escrever depois de um frango do NARIGUDO MAL CARATER vai ser um otimo texto….
e que os homofobicos se explodam!!!!
Só porque um tempo atrás rolou uma discussão boba sobre o Gre x Nal ser “maior” que Corinthians x Palmeiras, com mais aguante e outras baboseiras, por favor assistam esse vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=DKRHBNXZVJE
Que saudades do futebol. Isso que acontece em São Paulo hoje em dia é qualquer outra coisa. Derramei uma lágrima de raiva e de saudade revendo esse vídeo. Puta que o pariu.