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Às vezes sinto na almaQue nunca mais eu me aprumo
Se um dia eu perder o rumo
Do clarão da Estrela d’Alva
(Jayme Caetano Braun)
Um estádio com nome de estrela
Sobe-se por uma escada em caracol, de degraus que tremem pelo tempo, aos quartos da concentração. Do corredor preenchido por retângulos de madeira, surgem oito quartos que, em tempos de futebol, servem como abrigo para jogadores e comissão técnica às vésperas de cada partida. Das janelas, encobertas por panos rubros, não se enxerga a estrela d’alva. O que invade o quarto é o brilho da estrela, a mais luminosa. Ao transpassar a cortina, a luz dá ao ambiente um tom avermelhado. No Estádio Estrela d’Alva, erguido no bairro de mesmo nome, há perfeita sintonia entre o astro e o bicampeão gaúcho Guarany.
No andar inferior, próxima a uma entrada secundária do estádio, se esconde um relicário. Atravessando a porta, estão todas as provas da grandeza do alvirrubro. Embaixo de uma grande bandeira do clube, maior do que todas as outras, repousa a taça do Gauchão de 1938. O troféu é do tamanho de um homem – altura merecida pelo que foi a conquista. Após três jogos frente ao Rio-Grandense de Rio Grande, fez-se um último desempate em campo neutro. Em Pelotas, para onde migraram centenas de bajeenses, o Guarany passou na frente aos três minutos da prorrogação. Depois, não houve jogo. A torcida presente e os dirigentes do clube de Bagé adentraram o gramado e ninguém cogitou impedir a viagem da taça rumo à Rainha da Fronteira.
Pelas paredes, recordações de enfrentamentos históricos. Seleções de Rússia, Argentina e Venezuela, além de clubes da primeira divisão, deixaram flâmulas que engrandecem a sala de troféus. Não há nada semelhante no interior. Para encontrar duas taças do Campeonato Gaúcho – que não estejam nos memoriais do Olímpico e do Beira-Rio – é preciso viajar para Bagé, sentar-se no confortável sofá vermelho, disposto no centro do cômodo, e contemplar a glória única que esbanja o Guarany. Em uma sala adjacente, também um lugar de medalhas, os presidentes do clube cumprem o cotidiano no Estrela d’Alva. E se o assunto são estrelas, longe da Capital apenas o alvirrubro pode sustentar duas acima do distintivo.
Dos campeonatos disputados desde a unificação das regiões, em 1961, até o ano de 1982, o Guarany só não esteve presente em dois. Depois da queda em 82, porém, foram duas décadas e meia nos charcos do Acesso, antes do retorno em 2006. A nova travessia na elite, no entanto, durou míseros dois torneios. Em 2008, caiu perdendo treze das catorze partidas do certame. Desde então, compete na Segundona sem ter alcançado o quadrangular final. As causas, na opinião do técnico da equipe, o santanense Rudnei Lucas, passam pela desorganização do futebol da Zona Sul – que não evoluiu em termos de estrutura, estádio, profissionalização da diretoria e categorias de base, aspectos bem aproveitados pelas equipes da Região Metropolitana.
O atraso ainda não causa temores de outro rebaixamento, que podem se tornar reais após duas ou três jornadas de pouca sorte – por conta do terrorismo das linhas do artigo quarto do regulamento da Segundona, que prevê a volta da terceira divisão em 2012. O Guarany já esteve na Série C em 1999, de onde saiu rapidamente com o título. Aquele rebaixamento deixou no Estrela d’Alva a cicatriz de que ter história não basta para evitar os insucessos frente a clubes menos tradicionais. Rudnei Lucas não permite que o assunto se infiltre no vestiário antes que a temporada comece. Para ele, o descenso é algo que não condiz com o elenco e a tradição do Guarany.
“Se disputar a Segundona é complicado, imagina a Terceira Divisão. Não vai ter qualquer tipo de retorno para quem disputa, mas nem cogitamos isso para o Guarany. Nós pensamos grande”, afirma o treinador. Sobre os sofás vermelhos frente ao altar do alvirrubro, há um consenso de que a volta do terceiro nível vai terminar com portas lacradas em muitos estádios do interior. Na montagem do grupo que ignora o rebaixamento, estão jogadores familiarizados com Bagé – mais da metade do plantel cresceu no Estrela d’Alva ou já atuou pelo Guarany, o que torna possível uma cobrança mais íntima por parte da torcida. O atacante que errou o pênalti é o mesmo que vai comprar pão na vizinhança a cada manhã. A situação contrasta com a do rival Grêmio Bagé, que em 2011 contará com vários nomes de fora do estado.
Em Bagé, o futebol se faz quase que sem a presença de microfones. A imprensa local dá pouco apoio aos clubes, como se evidenciou na apresentação do grupo de jogadores, no dia 20. Nenhuma rádio esteve presente para entrevistar o zagueiro Bonaldi ou o meia Michel Lugo, dois dos principais nomes da equipe. Se a Segundona iniciasse agora, nenhuma estação transmitiria as partidas, de acordo com o diretor de comunicação do clube, Sérgio Galvani, que também é funcionário público. As três emissoras prefeririam acompanhar, em cadeia com as rádios da Capital, os jogos da dupla Gre-Nal. Esquecido pela imprensa, o Guarany, ironicamente, se apoia em um jornalista formado. Galvani dedica suas tardes ao clube sem receber um real – em troca, vê os jogos de dentro do campo. Em Pelotas, certa feita, irritado com provocações dos xavantes, chamou meio Bento Freitas para a briga. Disse que veriam quem é mais guapo quando o jogo fosse em Bagé. O Brasil não passou da primeira fase.
Iuri Müller e Maurício Brum





hahahahaa
” Disse que veriam quem é mais guapo quando o jogo fosse em Bagé. O Brasil não passou da primeira fase.”
EPIC WIN
Bravo!
Quem me levou a torcer pelo Guarany de Bagé, quando fui morar na cidade nos anos 90, foi o saudoso Prof. Ênio Nocchi, então diretor do CCEI da Urcamp — meu chefe, na época. Um dia ele me chamou em seu gabinete e perguntou se eu gostava de futebol. Diante da minha resposta afirmativa, questionou se eu já tinha escolhido um time na cidade. Eu disse que, por ser colorado, tinha simpatizado com o alvi-rubro Guarany — por causa das cores e porque o outro time de Bagé se chamava Grêmio. O professor então revelou ter sido dirigente do time da Estrela d’Alva e me convidou a acompanhá-lo nas sociais. Fui a vários jogos no Magalhães Rossel, inclusive os da campanha do título de 1999.
“Em Pelotas, certa feita, irritado com provocações dos xavantes, chamou meio Bento Freitas para a briga. Disse que veriam quem é mais guapo quando o jogo fosse em Bagé. O Brasil não passou da primeira fase.”
SENSACIONAL
a foto da concentração está MÁGICA, aquela cortina rubra POLTERGEIST apavorou!
baita texto gurizada
Existe uma forte rivalidade entre o Guarany e o Brasil. Lembro de um jogo em que a BM fez um “corredor polonês” pra torcida xavante sair do estádio após o jogo e os bageenses pulavam para bater nos pelotenses por cima dos brigadianos. A Brigada só não deixava usar sarrafos e outros objetos, mas tapas e socos estavam liberados. Tudo porque no jogo de ida, em Pelotas, a torcida xavante tinha feito o mesmo com os torcedores de Bagé que tinham ido ao Bento Freitas.
Guarany e Grêmio Bagé deveriam ter vaga cativa na Série A. Única solução digna.
uma vez, na volta de uma saída de campo com a faculdade, paramos no restaurante do trevo de Pantano Grande, umas 20:30 de um domingo a noite…
encontramos ali o time do guarani do bagé, que segundo o goleador João Paulo, voltava de um jogo contra o São Gabriel em São Gabriel (derrota de 2 a 1), e sempre paravam ali porque o restaurante tinha um acordo com o guarani para dar janta e almoço aos jogadores.
então pedi uma camiseta, mas não fui retribuído: “são contadas, não podemos dar”
eu compro então!! eu disse.
aí ele foi lá e falou com um cara, dirigente devia ser… e ele fez sinal de negativo, porque não tinham ali nenhuma a venda.
se tivessem…eles teriam vendido umas 4 camisetas, estavamos em 30 alunos…
triste.
#8
Esses clubes com os quais voltimeia esbarramos deviam levar umas camisetas pra venda. Vi uma vez a delegação do Pelotas e queria comprar a camisa mas os caras não tinham.
grande série!
legal
e para os gremistas um papel de parede animal para o twitter
http://img33.imageshack.us/img33/1975/wallacdc.jpg
É disso que eu falo quando defendo a volta das fases regionais… imaginem um guarany vs brasil de pelotas valendo vaga na fase estadual do gauchão?
ou um caxias vs esportivo
aimoré vs novo hamburgo
passo fundo vs glória
fomentar essas rivalidades seria bom economicamente também para os clubes, inclusive pra quem não se classificar, pois até o gasto com viagem reduz…
hoje na série b você tem que sair de rio grande até frederico westphalen fazer um jogo… olha o custo disso…
porque não deixar as viagens maiores pras fases finais?
Bah, meu vô (e quase toda a família de lá) torce pro Guarany.
hehehe
o Rudy, vizinho da minha tia em Livramento, é TÉCNICO do Guarany…bahhh, sabia que ele tava se aventurando pela CASAMATA, mas não sabia que já tava GRANDÃO
http://tecnologia.terra.com.br/noticias/0,,OI4923273-EI12884,00.html
FODEO
TRITORIA
http://oglobo.globo.com/blogs/bolademeia/posts/2011/02/01/baianos-importam-ideia-da-espanha-seguem-bandeirinha-em-jogo-360251.asp
Sou filho de um bageense, este torcedor do Guarany, pouco sei sobre a história do clube, lembro de alguma coisa de ouvir as histórias que o meu pai contava, principalmente quando o Guarany ou o Grêmio Bagé enfrentavam o meu velho e querido Leão da Fronteira, o primeiro rubronegro do Brasil.
O Guarany tinha uma dupla de jogadores que erma temidos em toda a fronteira oeste, Max e Tupãnzinho, dois craques de bola.
Anos mais tarde conheci o velho Tupã em São Gabriel.
ó ejaculo abudante
do qual faço meus os seus seios
numa explosão de amor e sangue
no cheiro do seu corpo no meu corpo
como dizia o sábio, rocambole molengo
faço graça, roçando teus pelos nos meus pelos
acendendo a chama da felação e do endurecimento
ó ejaculo abundante
como um poste
ou como uma baqueta a batucar teu bumbo
eu vou até atingir-te
ó ejaculo abundante
Belíssimo texto
Fiquei impressionado com o descaso da imprensa de Bagé.. achei que ao menos em nível local a história e a grandeza do futebol da cidade fosse minimamente valorizado e registrado.
Essa volta da terceira divisão não durará mais que um ano.
A história e tradição do futebol do interior é muito pouco explorada pela FGF.. o marketing é nulo.
E enquanto gastam milhões pagando a conta de um grenalzinho semvergonha em Rivera, os clubes matam cachorro a grito aqui no interior.
Excelente texto!
De fato, a foto da concentração está mágica!
o impedimento está nos meus favoritos obviamente.
mas quando abro varias abas, por exemplo, é um dos poucos sites que não mostram um mini-simbolo(logo pequeno) do site, que poderia ser a taça libertadores.
por exemplo: o globoesporte aparece um “mini” GE, o final sports aparece um F estilizado….. poderiam editar o impedimento e colocar isso.
#21
oxe, vinicius, aparece sim. deve ser o teu navegador. Uso o chrome e o firefox e aparece nos dois…
mesmo no IE (que sou obrigado a usar no trampo) aparece a mini-taça libertadores
Sério muito MATADORA, desbravando o pampa com o facão do verdadeiro futebol.
Quando a ImpedCorp tomar a Conmebol por meio da luta armada, os citadinos de Bagé, Pelotas e Rio Grande darão ao campeão vaga direta nas quartas-de-final da Sul-Americana.
#21 Vinícius, a gente tem esse BAGULHINHO aí. E é justamente a taça da Libertadores, a mesma ilustração que está em nossas camisas.
#24: Tinha mesmo a tacinha, mas pra mim não está aparecendo mais também.
No IE aparece.
No Chrome também. Deve ter problema com a versão do Firefox.
BloGreNal com editorial sobre o clássico em Rivera:
FRACASSO ANUNCIADO
http://mundoesportivo-classicos-grenal.blogspot.com/
#21 No meu não aparece a taça, nem no Gremio….mas este ano ela volta, hehehe
No meu Firefox, a Copa está BRILHANDO.
Acho que a Globo está invadindo vossos computadores para arranhar a marca do Impedimento (ns).
excelente texto. Como torcedor de time pequeno que hoje tá se lambuzando no mel mas já comeu o pão que o diabo amassou, fico extremamente triste em saber que nenhum fdp da imprensa de Bagé dá bola pra um dos tradicionais times da cidade. Dos torcedores nem falo, porque o brasileiro é um dos torcedores mais sem-vergonha que existe. Torce por títulos (principalmente se passarem na TV), não por times. Jogo do Guarany na Terceirona vai dar o quê? Quinhentas, mil pessoas por jogo?
Re 31
Para largar de mão QUALQUER TIME daqui, e passar a torcer para um da Europa, é um abraço…
Sanchotene
Bah, voc~es tem sorte de não aparecer aquela tacinha. O meu problema aqui é pior. Tem horas que o impedimento simplesmente não abre. Não importa qual navegador eu uso ou qunatas vezes eu tente.
Muito oportuna a citação ao Sérgio Galvani. Não o conheço pessoalmente, mas ele nos envia quase que diariamente informações sobre o Guarany. Faz um trabalho excelente e, como podemos ver, pelo amor à camisa.
Além disso, o site é atualizado e cumpre totalmente a função de apresentar o clube ao MUNDO:
http://www.guaranyfutebolclube.com.br
Vocês devem lembrar que em 2008 o Cassol já tinha feito um levantamento dos sites e apontava o do Guarany como DESTAQUE:
http://impedimento.wordpress.com/2008/01/17/quem-ve-site-nao-ve-escalacao/
No interior de SP é a mesma coisa ou até pior…enquanto clubes TRADICIONALISSIMOS (e com torcida própria) como XV de Piracicaba, Ferroviária de Araraquara, Comercial de Ribeirão Preto, Internacional de Limeira, Portuguesa Santista, Juventus, GUARANI DE CAMPINAS, entre vários outros, estão agonizando pelas milhares de divisões inferiores do futebol paulista, temos de aguentar essa aberração que se tornou o campeonato paulista, cheio de times de empresários e prefeituras e que trocam de cidade a qualquer mil reais a mais que oferecem!!!
tche, esse blog é um espetáculo.
bien venido, antonio…
A torcida alvirrubra agradece a matéria. Infelizmente a constatacao de que se torce por titulos e nao por times e verdadeira. Ha interesse econômico da imprensa da capital nesse pensamento, que vai acabar com o futebol do interior. Times sem torcida já são em grande número no Gauchão. São Luiz e Inter SM devem ser os próximos da degola
Mais uma vez, agradeço à equipe Impedimento, não só por levar notícias alvirrubras para o mundo, mas para sintetizar a realidade que estamos vivendo em Bagé. Tá difícil fazer futebol aqui, o apoio é quase zero, exceto por meia dúzia de abnegados empresários que ajudam.
Grande abraço aos amigos do Impedimento e a todos que aqui comentaram.
Um ponto que gostaria de colocar para discussão: por que Bagé – ou, talvez, Santana do Livramento – não faz parte das rotas da NHT? Há um “buraco” de voos entre Pelotas e Uruguaiana. Por que?
Muito bom o site. Sou bajeense e morador de Porto Alegre. Torço para apenas um time: o Guarany. As dificuldades do clube são as mesmas que enfrentam o município da Campanha. As terras, desvalorizadas, foram vendidas por herdeiros de fazendeiros, para empresários de de fora, que exploram o lugar, mas não têm a menor ligação com Bagé. Por isso, todos os lucros são investidos fora da cidade. Além disso, os moradores e ex-moradores dizem que torcem pelo Guarany apenas porque fica bonito. Na verdade, só apoiam a Dupla Gre-Nal ou outros times brasileiros porque gostam de dizer que são campeões. Em consequência, desprezam os times locais e o deixam no abandono. Quanto mais dificuldades têm para conseguir bons resultados, mais falta de apoio enfrentam. Por isso tudo considero heróis os que trabalham pelo Guarany como o citado Sérgio Galvani e o incansável Pedro Martins, o Sabela.