Mutatis mutandi (recebam, hereges, um latinismo nos mamilos logo de prima), a tarde nesta briosa e impoluta tribuna pode ser comparada à noite de um sábado, quando, antes de sair, todos se olham no espelho, num rebuliço dos seiscentos, e sonham em ter uma vida boa.
Hoje, porém, lamento informá-los, a chibança festiva dará lugar ao choro e ranger de dentes. Afinal, não há como fugir da tragédia que impera em Pindorama, seja nas pacatas ruas do Rio de Janeiro ou nos campos de futebol. “É consequência do tal do Zeitgeist”, sopra-me aqui um amigo xibungo e erudito (desculpem-me a redundância).
É, irmãos de fé e sofrimento, realmente a tristeza tem sido senhora, como diria a vedete de Santo Amaro.
Na noite da última quarta-feira, por exemplo, exatos 1.337 torcedores abandonaram o conforto do lar (alguns, é verdade, fugiram das tradicionais aporrinhações da patroa) e desceram a pirambeira rumo ao Barradão. Objetivo? testemunhar mais um episódio de melancolia na história do brioso Rubro-Negro, que enfrentou o poderoso CSA, valendo vaga na final do não menos brioso e organizado Campeonato do Nordeste. Ô suplício.
Antes de prosseguir o lamento, algum tarado, desses que acompanham todas as competições, poderá argumentar que não há tanto motivo para desgosto já que o Vitória ganhou, com relativa tranquilidade, da equipe alagoana. Pois aí, amigos de infortúnio, é que está o cerne da questão, como pregariam os comunistas de antanho.
Seguinte é este.
Sofrer, já ensinou o sábio Batatinha, também é merecimento. E sofrer na derrota é compreensível, aceitável. As desgraças épicas têm um quê de catarse. Às vezes, provoca até momentos sublimes, como foi o caso da homilia proferida por Fernando Cesarotti, que falou em aperfeiçoamento do caráter e outras mumunhas depois da derrota palmeirense.
Mas, este sofrimento, repito, é quase que natural. Triste mesmo, companheiros, o que provoca o verdadeiro desgosto dos seiscentos, é penar nos triunfos. É padecer quando o time vence, como foi o caso da referida peleja. Afinal, ganhar do CSA era, como não diria Kant, mais do que um imperativo categórico.
Nós, que fomos ao Barradão, não buscávamos somente a superioridade no placar. Nosso prêmio era outro – e muito mais importante. Qual seja. Queríamos ver o brilho da divisão de base, aquela fagulha, um lampejo que fosse de um futuro gênio da bola ou até mesmo uma simples jogada de craque ou algo do tipo. Esta era a única glória que nos restava.
Já faz tempo que abdicamos de conquistas importantes. Nossa busca, atualmente, não é mais por inatingíveis títulos continentais, nacionais ou outros invisíveis e inalcançáveis. Quando vamos ao nosso estádio, queremos apenas e tão-somente encontrar aquela estrela do Ludopédio que exale a pureza de quem ainda não foi conspurcado pelo vil metal. É a nossa quase vingança diária. Sabemos que a vedete não ficará em nossa agremiação, porém buscamos o raro prazer de termos sido o primeiro a vê-la e tê-la.
Mas, quá. Durantes os 90 minutos contra o CSA, os guris do Rubro-Negro fizeram dois gols, porém não fizeram o que se esperava deles: fugir da indecente obediência tática e realizar uma única jogada surpreendente. Nada. Nem um só toque de improviso. São sempre todos iguais em todas as noites. E, por falta disso, continuamos nossa sina de bordéis de ponta de rua. Qual seja. Só conseguimos ver brilhar em nossas camas, digo, campos, as putas velhas do Ludopédio (tipo Kleber Pereira e Ramon Menezes), aquelas que já esbanjaram suas volúpias e saúde nos grandes centros.
E, assim, mesmo nas vitórias, sentimos aquele gosto amargo de bota de sargento no canto da boca e prosseguimos diplomados em matéria de sofrer.
Franciel Cruz

Esse sono deu sono e um certo arrependimento de não ter preferido assistir a derrota do palmeiras.
Franciel, isso tu e todos os torcedores do mundo procuram só acharás na ImpedCopa!!
Lá é lugar de PUTA NOVA!![NUSSSSSSSSSS]
No mais, venceram!!
Tu vais ver o Campeonato do Nordeste? Não te bastam a PORRA CONSPURCADA de nossos estaduais?
Masoca profi.
Franciel, verdade seja dita, o gol de Aldair (QUEM, PELAMOR?) saiu de uma linda jogada de EDSON.
Como tu mesmo disse, daquelas que tu faz igual no teu baba, só que tu guarda a bola na rede, e na jogada de EDSON o goleiro deu uma tapinha e não deixou ele concluir o que seria um merecido e belo golo.
Quando vamos ao nosso estádio, queremos apenas e tão-somente encontrar aquela estrela do Ludopédio que exale a pureza de quem ainda não foi conspurcado pelo vil metal. É a nossa quase vingança diária. Sabemos que a vedete não ficará em nossa agremiação, porém buscamos o raro prazer de termos sido o primeiro a vê-la e tê-la.
irretocável.
Nossa, que bela e honorosa menção a Batatinha. Sambista baiano completamente esquecido nas rodas de samba da parte Meridional do Brasil
“Tudo é carnaval, pra quem vive bem, pra quem vive mal” – frase quase arquetipica do torcedor de futebol…
Cunegundes fazendo escola:
http://br.esportes.yahoo.com/colunas/video-schweinsteiger-se-empolga-com-
comemoracao-de-gol-esportes-988.html
No mais, eu achava que era uma boa esse tal campeonato do Nordeste, mas pelo que seu Franswell está falando, parece mais um daqueles torneios caça-níqueis para empresários.l.
Esse nordestinho dá dando desgosto até mesmo de assistir e acompanhar.
De qualquer forma, que venha o ABC pra gente terminar o ano comemorando algo mais do que não cair pra segundona.
Franciel, não sei se serve de consolo, mas o zagueiro Alan
Henrique, daquele jogo, foi convocado hoje para a sub20 pelo Ney Franco. SOMOS MAIS VITÓRIA
Great hammer of Thor, that is powerfully heflupl!
EiL3eO snhazzdruhse