Ainda que eu falasse a língua dos anjos e/ou tivesse o direito de recorrer a falácias e sofismas, ainda assim, não conseguiria negar a inapelável verdade: A gloriosa Copa do Nordeste, que neste 2010 recebeu a alcunha de campeonato, foi concebida este ano de forma intrafemural, isto é, feita nas coxas.
Não bastasse marcar as rodadas iniciais para o mesmo período em que todos os olhos se voltavam para a Segundona do Gauchão, a liga organizadora ainda se deu ao desfrute de modificar a tabela ao seu bel-prazer (bel-prazer? hoje eu tô demais). Por conta disso, a estréia do Vitória no Barradão, que estava marcada para um dia de domingo, foi antecipada para a noite de sábado, Dia dos Namorados. Uma beleza.
Não à toa, este torneio, parido a fórceps depois de uma cizânia entre a CBF e Liga do Nordeste, caminhava melancolicamente para confirmar o seguinte axioma (recebam, discípulos de Dunga) do menino Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly: “De onde menos se espera, daí é que não sai nada”.
Porém, no meio do caminho, mais especificamente na terceira rodada, havia um Ba x Vi – a mãe de todas as batalhas. E, amigos ouvintes, em verdade lhes garanto: Quando há um Ba x Vi, tudo pode acontecer. Até mesmo o imutável destino de competições nascidas sob o signo da incongruência sofre abalo. Afinal, como bem disse Jardel: Clássico é clássico e vice-versa.
Pouco importa que as equipes tenham entrado em campo com os times reservas; que a imprensa tenha boicotado a peleja; que fosse véspera de São João; que Lula tenha vetado o fator previdenciário (ns) e que na noite do jogo Salvador continuasse sofrendo os dissabores do prolongado inverno. Sim, hereges, inverno. Ao contrário do que prega os órgãos estatais, que tentam enganar turistas, otário e afins, Soterópolis tem um dos mais altos índices pluviométricos do Brasil, com uma média anual superior a 1.900 mm.
Mas, derivo.
O fato é que – desde a primeira vez em que Bahia e Vitória se enfrentaram numa partida valendo pelo Torneio Início da Liga Bahiana de Desportos Terrestres (LBDT) -, não existe armandos nogueiras que dê conta da poesia e dramaticidade que rolam nos gramados em dia de Ba xVi. Afinal, a ferrenha rivalidade, que começou naquele inolvidável 10 de abril de 1932, está prevista para terminar somente 90 minutos após o apocalipse. Saravá, meu pai.
E anteontem não foi diferente.
Diante dos milhares de torcedores que lotaram o Estádio Roberto Santos (mentira, só 3.859 lunáticos prestigiaram a partida), os jogadores das duas equipes partiam para a bola com a mesma disposição que um pedreiro corre em direção a um prato de comida depois de 18 horas de labuta ininterrupta. É fato que os atletas do Bahia tinham a mesma intimidade com a redonda que os referidos trabalhadores da construção civil. Não foi por acaso que, com menos de 40 minutos, o placar já marcava 3 x 0. E tão esquálido escore na primeira etapa apenas comprovou que os deuses do futebol ou não gostam de ver as redes balançar ou não tem senso de justiça, já que o placar moral seria 28 x 0.
Porém, num espetáculo desta magnitude, assim como nos livros de auto-ajuda, a qualidade é mais importante do que a quantidade. Por isso, quando o menino Lenilson, aos 27 minutos da etapa complementar, fez a diabrura que vocês verão abaixo, assim como Bandeira, eu não vi mais nada, nem a calcinha rosa da vendedora de cerveja. Afinal, a partir daquele instante, os céus se misturaram com a terra. E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.
Amém.
Franciel Cruz

a copa do mundo sem a shakira = copa do nordeste
“a copa do mundo sem a shakira = copa do nordeste”
HAHAAHAHAHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
coitado do bahia. porrada atrás de porrada.
VIXÊ, que sacolada!
Hereges, o quarto gol é de fazer esquecer até shakira.
#1
HAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHA…
Essa foi sensacional… rs
“…mesmo período em que todos os olhos se voltavam para a Segundona do Gauchão…”
SALVE FRANCIEL!
CHUPA BLATTER!
#4
Franciel, não me leve a mal. Mas pra esquecer da Shakira, só DUAS Shakiras…
Um classico desses já vale a Copa do Nordeste.
Amém.
Alexandre,
você fala isso porque não viu a vendedora de cerveja e sua calcinha rosa…
A criatura mexia mais do que ferry-boat em dia de maré vazante. No entanto, depois do quarto gol, ficou completamente esquecida.
Mas enfiar 5 no finado é pra ressuscitar qualquer campeonato moribundo feito as coxas que nem a copa do nordeste (que alguns já chamavam de nordestinho), agora o Vitória tem o DEVER MORAL de vencer essa porra com goleada de não menos que 23 gols de vantagem sobre o adversário, e tenho dito.
E melhor que isso só dar uma passada nos blgos incolores pra ver ampla, geral e irraestrita que se abateu sobre as testemunhas enlutadas do finado, ri demais.
ps: e concordo com o Catarina, pra esquecer Shakira (ou a tal vendedora de cerveja), só duas, amém.
Já reparou na última “gracinha” que a Globo está fazendo?
Nos jogos da Copa, cada vez que um jogador manda a pelota Jabulani por cima do gol aparece a voz do Cid Moreira dizendo JABULÃÃÃÑNNNNIIII
#11
é a tentativa da globo de criar um twitter
É sério isso da Jabulani?
Aqui de Barna só vejo os jogos pela ESPN DEPORTES em portugues com comentarios do nilton batata!
http://colunistas.ig.com.br/copa2010flaviogomes/2010/06/19/563/
” É fato que os atletas do Bahia tinham a mesma intimidade com a redonda que os referidos trabalhadores da construção civil”
hauahuahuah