Enquanto a arbitragem, que avacalhou o jogo todo, sai do campo escoltada por uma furiosa Brigada interiorana, a torcida, chamuscada pela raiva, atira montanhas de cascas de amendoim nos merecedores. Quis o destino e as tabelas e o fluxo das coisas deste mundo que o cenário descrito acima – melhor pela foto que pelo texto – está, já, com dias contados. A Segundona Gaúcha, o mais honroso dos redutos futebolísticos da metade sul do mundo, já se encaminha para a fase final – duas equipes já estão definidas, e outras três brigam pelas duas últimas selas no quadrangular decisivo.
Faltando duas rodadas para o encerramento da fase semi-final, o Grupo 1 se encontra em uma indecisão a três: Cruzeiro, de Porto Alegre, Brasil, de Farroupilha, e Guarany, de Bagé, somam sete pontos e acabaram por dizimar o Riograndense, favoritaço a partir das credenciais herdadas desde a primeira fase – que não ganhou de ninguém quando a coisa ficou séria. A derrocada do rubro-esmeralda de Santa Maria teve sua explosão no último domingo, quando o time perdeu em casa para o Guarany fronteiriço por 3-1 – sendo que atuou com um jogador a mais nos trinta minutos finais do encontro.
A crise rondava os Eucaliptos desde que, após a primeira derrota na terceira fase, o então preparador físico Rafael Dias reclamou publicamente do fato das viagens para as partidas como visitante ocorrerem no dia do jogo. Rafael Dias chegou ao clube com Bebeto Rosa – e seguiu no posto quando Rodrigo Bandeira assumiu como técnico. Antes da partida que selou a eliminação, a diretoria do Riograndense optou pelo afastamento de Dias e do preparador de goleiros, Anderson Cebola, bancando Bandeira na casamata do Periquito. Veio a nova derrota e Bandeira caiu, acabando com qualquer possibilidade de compreender o planejamento na fase semi-final.
Porém, se a análise se referir tão somente à frieza numeral, o Riograndense ainda tem chances matemáticas remotas de avançar. Para tanto, precisa vencer as duas partidas restantes e louvar o Guarany de Bagé, que também tem que ganhar tudo. No entanto, talvez nem mereça: no auge do caos, o atacante Alfinete, no clube desde 2003, foi dispensado – o Riograndense alegou que precisava enxugar a folha salarial. Mas não era o Alfina, que estava ali todos os dias e que já faz parte da história recente do clube, quem tinha que pagar pelo último revés.
Quem substitui Bandeira nos próximos matchs é o veterano meia Luis Fernando, outro identificado com as cores ferroviárias e que deseja se tornar treinador. Hoje, às três e meia da tarde, Cruzeiro e Riograndense duelam no Estrelão, enquanto que o embate entre Brasil e Guarany acontece às oito e meia da noite, nas Castanheiras. Se não perder, o Guarany segue alavancado na carrera pela vaga no quadrangular, já que em Santa Maria pôs todos os huevos futebolísticos possíveis em campo e comemorou o triunfo com uma reza chorosa. Ver Cruzeiro e Guarany na final seria a homenagem merecida ao tempo em que os periféricos podiam mandar nessas bandas.
No outro grupo, os lamentos já não têm praça, porque Lajeadense e São Paulo estão classificados desde sempre. Absurdo que os celestes tenham vencido os quatro jogos – é de conhecimento geral que os de Lajeado morrem sempre na primeira fase, às vezes com fiasco incluído. Quem o acompanha é outro honroso representante da Zona Sul: após perder em casa para o próprio Lajeadense, o São Paulo de Rio Grande emendou três gritos seqüenciais e se garantiu na final. O feito toma maiores proporções quando a tabela aponta que o rival Rio Grande aparece eliminado no mesmo grupo, com uma mísera unidade lograda. Também com um ponto, o Passo Fundo já desistiu da briga no Grupo 2.
Algo desprestigiada em função de ter iniciado antes mesmo do fim da Série A do estadual e oprimida pela proximidade da Copa do Mundo, a Segundona de 2010 vai, em silêncio, recolocando campeões de outras eras novamente na elite. Guarany, Cruzeiro e São Paulo já ergueram a maior taça da Província e agora vão contra os modernos neo-burgueses insurgentes Brasil de Farroupilha e Lajeadense para escapar do melhor dos infernos. A seu favor, contam com a arruaça e o poder das cascas de amendoim. No Ascenso, nada pode ser maior.
Saludos,
Iuri Müller




“vão contra os modernos Brasil de Farroupilha e Lajeadense”.
Modernos?
se esses são modernos, o Grêmio *cidadedointeriordeSP* seria pós-moderno?
Belo texto, Iuri.
E X A TA M E N T E ! ! ! froner…
texto excelente… como é entendido este Iuri hein ô Batista
ótimo concordei com TUDO e que pena que o Brasil caiu tão cedo…
Belo texto.
Contudo, cumpre salientar que o “moderno” Lajeadense data de 1911.
AGUANTE CRUZEIRINHO!
lajeadense >>>>>>>>>>>>> vida
A título de curiosidade:
Essa semana encontrei, no Rio de Janeiro, o porteiro de um edifício qualquer ostentando garbosamente uma camisa do Farroupilha de Pelotas.
“Essa camisa é de um time lá do Sul!!” dizia ele, enquanto eu apontava gritando Farroupilha.
Farroupilha globalizado!
@7
Táí alguém que entende de futebol.
Lajeadense copero y peleador, campeao em 59 e 79!!
a MODERNIDADE de Lajeadense e Brasil de Farroupilha se refere à ausência de glórias remotas, como os outros ostentam. por isso apostam tudo em tempo real (????)
Estou com São Paulo (já classificado) e Guarany para a Primera Divisão em 2011.
Metade Sul na veia…
São Paulo já classificado para as finais, bem entendido.
Estranho conceito de modernidade este. Muito estranho…
Sendo assim, nada mais moderno do que o Middlesbrough.
Então quem sabe teremos jogos da série A em Bagé e Rio Grande? Há quanto tempo isso não acontecia?
Guarany e SP na primeira, urgente.
E off topic:
Felipe Catarina, favor mandar uma camiseta do Avaí pra mim, já q esse FDP do Silas, com a conivência CRIMINOSA da diretoria, quer comprar todos os jogadores dae. Nada contra o Avaí, mas o GRÊMIO é muito maior q isso, porra.
Aguante GUILHERME.
NÃO germano o FULHAM!!! 131 anos e NEVER só a CANCHA tem uns 115 anos…
SILAS pensa que os HUMILHADOS serão EXALTADOS…
ele tb NÃO COBIÇA a terra, a MULÉ e o GADO do próximo…
onde fuimos nosotros???
O Lajeadense, campeão da segundona de 59 e 79 e da Abílio dos Reis em 98, vai passar o centenário na elite, e que de lá não saia. Depois pode servir de exemplo de como se reerguer um time quase falido, prestes a se licenciar da disputa da série B e com o patrimônio penhorado.
E espero uma reportagem especial sobre o centenário aqui na Impedcorp.
Grande Lajeadense, a Celeste Olímpica dos nossos pagos (ns)
Gostaria muito de ver mais times da metade sul na primeira divisão, mas o Lajeadense merece subir para disputá-la no ano de seu centenário. O clube tem tradição na segundona, dois campeonatos e seis finais. Torço pra que garanta a vaga.
Lajeadense vai ser campeão gaúcho da primeira divisão ano que vem.
Ninguém segura no ano do centenário!
Também adoraria ver SP e Guarany na primeira, MAS sou CRUZEIRISTA desde pequenino!!!!!
Riograndense ainda tá peleando
Lajeadense a pqp, Cruzeiro (campeão de 1929, meu pai sempre dizia bem sério quando eu me arriava que ele era cruzeirista, não gremista) rumo ao bi em 2011.
Belíssimo texto, Iuri!!!!
Parabéns!!!
Para todo sempre esta será a edição da Segunda Divisão que o xavantinho de Pelotas foi eliminado na primeira fase, em uma chave de oito em que classificavam-se seis.
Nada pode ser pior, a não ser fechar as portas!!!
Ah, isto o xavantinho já fez nos anos 70.
Your story was rlaley informative, thanks!