Chovia deveras na cidade do Rio de janeiro, em particular no bairro tijucano do Maracanã. O centroavante, no entanto, concentrava-se na bola à sua frente, parada sobre a marca do pênalti. Ao meu lado, um homem feito e de cabelos brancos se virava de costas para a cena, cheio de pavor. O centroavante começou a caminhar, a correr e deslocou o arqueiro rival para o lado que gostaria, a canhota direcionando a bola para o lado oposto e era gol. Gol do Flamengo.
Nesse momento, o homem feito e de cabelos brancos saiu do temor e tornou à infância. Junto com ele, toda a arquibancada do Maracanã despertou em fúria e música – exceção feita, obviamente, ao bloco de corintianos presentes. O centroavante, no entanto, conforme pude conferir no repeteco na televisão, não saiu aos gritos, não coreografou uma dança, não pediu música: sequer sorriu.
Adriano carrega há algum tempo um pote de mágoas no cerne do peito. A vaia sofrida em seu último jogo no estádio diante do Caracas – onde o time venceu, mas não venceu como deveria – ficou gravada em seus ouvidos de artilheiro. Ele voltou ao Flamengo por amor à camisa (claro que não apenas por isso) e fez dessa camisa campeã nacional após 17 anos. Decerto jamais esperava ver seus súditos lhe pedirem a cabeça aos gritos.
Não tem sido fácil ser Adriano em campo ultimamente, mas ser Ronaldo pode ser pior. O atacante alvi-negro se apresentou sob forma física medonha. Parecia um cover de si mesmo, um desses artistas de imitação que não convence a plateia. Não fosse eu um torcedor do Flamengo teria pena da situação. Ronaldo, ex-fenômeno, artilheiro das Copas do Mundo, sendo desarmado seguidamente no mano-a-mano por coleções de zagueiros urubus.
Ronaldo, entretanto, mesmo sendo a grande decepção do jogo nunca foi um traste desprovido de razão para existir feito o tal de Michael. Não sei de onde o Flamengo colheu o cidadão, mas faria excelente negócio se para lá o devolvesse. Durante os trinta e seis minutinhos em que esteve a trotar e enganar a gente, o rapaz se notabilizou por perder bolas para as poças do gramado. Diante de sua expulsão o Flamengo começou simplesmente a jogar melhor, ser mais conciso, aparentar mais gana.
E o grande trunfo do Flamengo na primeira partidas dessas oitavas-de-final da Libertadores foi a vontade de vencer do time. Reduzidos a um homem a menos, os demais se entenderam rapidamente em campo e trataram de resolver o jogo da melhor maneira possível, sólidos na defesa e incisivos no ataque (contra-ataque, geralmente).
Nós, torcedores, compreendemos o time em campo e desafiamos o aguaceiro que caiu a noite toda com o orgulho de ser rubro-negro. Então veio o segundo tempo, veio a bola lançada em Juan que sofreu o pênalti, veio o escore de Adriano, veio o coletivo de 72 mil lunáticos chamando o Mengo no gogó, veio a festa que tanto gostamos de fazer para ver o Flamengo em campo.
Mas que o flamengo não se iluda: sua torcida sabe perfeitamente bem que Libertadores nenhuma se ganha de véspera.
Leandro Godinho



MENGOOO
Sou mengo desde criancinha HAHAHA
Em tempo:
Leandro Godinho, ENVIADO ESPECIAL do Impedimento, que cobriu o certame direto das arquibancadas.
Melhor título.
Mas como sofre o gramado do Maracanã, não bastasse a chuva, dois jogos seguidos com os pesos-pesados como Ronaldo e Rochemback em campo.
Mas 1 x 0 é pouco.
“Mas que o flamengo não se iluda: sua torcida sabe perfeitamente bem que Libertadores nenhuma se ganha de véspera.”
LA GARANTIA SOY YO
Michael (isso lá é nome de jogador de futebol?) começou no Palmeiras, mas eu não quero que volte não, Godo. Já tem pereba demais de verde nos últimos tempos.
#5
Michael de confiança só conheço 3: Schumacher, Jordan e Jackson.
E, claro, o GEORGE Michael.
george michael é marcha ré hein
muito cuidado com essa confiança aí hein
Essa história do Ronaldo ser um cover de si mesmo me lembrou uma história muito boa.
Diz que o Raul Seixas, quando já tava todo fiadaputa, foi contratado para um show numa cidade do Interior e depois de cantar umas duas músicas os caras correram ele a pau achando que era um impostor, husadhusdhudshdsdhsusduhsdahu
VAI CURINTIA FÉDAPUTA!
#6
Serve genérico, tipo MAICON?
#3
Willian Magrão é melhor que o GRAMADO DO MARACANÃ (ns)
http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Botafogo/0,,MUL1583280-9861,00-LOCO+ABREU+REVIVE+TEMPOS+DE+JORNALISTA+E+ESCREVE+ARTIGO+SOBRE+A+VIDA+DE+JOG.html
MELHOR CRONISTA VIVO!
#10
Lembrei de outro MICHAEL ilustre.
http://i340.photobucket.com/albums/o327/Esteed_01/michael_knight_kitt.jpg
Michael Knight. Muito mestre.
O MESTRE Erasmo Carlos compôs uma música para o seu último disco, chamada “Cover”, que fala justamente sobre isso, ser cover de si mesmo.
Jamais suspeitaria que o Loco Abreu havia sido jornalista. Concordo integralmente com o item 4 do texto dele, de uns tempos para cá, parece que alguns torcedores não vão ao estádio para se divertir, mas para descarregar as frustrações de sua vida.
#12
O Abreu é ótimo. Grande figura.
fui ao jogo, e vi que o gramado do Maracanã estava mais molhado que meus sonhos com Monique Evans, coroa macia e suculenta que eu comeria com uma perna só e ainda “encheria o potinho”, mas o importante é que o Framengo meteu caixa, Adriano é imperador, estuprador e fodedor, fico com os pelos pubianos arrepiados só em pensar aquele cara me fungando no cangote na grande área. quack.
Essa michael aqui é melhor.
http://www.ambermichaels.com/
Genial o ouvido da historia:
“Mas se, ainda assim, tu quiseres destruir alguma coisa, espere o final do jogo. Então saia pra rua e ataque um outdoor, essas coisas nojentas que a publicidade faz para tornar Porto Alegre mais feia.”
haehehhaehehae
#12: me EMOCIONEI com o item 4 do texto do Loco.
Já vi esse filme, que as bandas policiais se preparem semana que vem no pacaembu o bicho pega.
loco é irado demais,
como é bom ter um ídolo no time!
grande loco…
Loco Abreu matou a pau aqui
vamos pedir pro Walter escrever seu diário também
“o que fiz naquela semana que não saí de casa”