“Fue mucho mi penar
Andando lejos del pago,
Tanto correr
Pa’ llegar a ningún lado.
Estaba donde nací
Lo que buscaba por ahí.”
Nasceu no humilde bairro Curva de Maroñas, na periferia montevideana, e se encantou nas luminosas avenidas de Milão, o personagem do texto que se apresenta. Álvaro Recoba, o que hoje defende a mesma jaqueta das primeiras jornadas, rodou meia Europa buscando algo que não poderia encontrar. Sem o profissionalismo indispensável para iluminar hoje, “El Chino” recuperou a tranqüilidade e o bom trato com o esférico onde se acertou pela primeira vez.
Nasceu Alvito e com um par de anos já demonstrava que conduzir uma pelota era, para ele, barbada. Grudava o balão no pé esquerdo e percorria as ruas esburacadas do bairro sem olhar para o chão. O que para alguns era habilidade, para Recoba era mesmo instinto. Não aprendera aquilo treinando, correndo metros e metros com a finalidade de não soltar a bola. Se quisesse, atravessaria meio Uruguai – gambeteando alguns zagueiros no meio do caminho, inclusive – com a pelota na perna canhota. Logo logrou ser visto pela gente do Danubio, o time da região, surgido em um tempo em que aquele lugar era pouco urbanizado. O Danubio, aliás, é o que Maroñas tem de maior para exibir a Montevideo – o que não é pouco.
Durante as temporadas de 1994 e 95, vestiu a camisa do primeiro time da equipe do Jardines del Hipódromo. Não demorou para ostentar a camisa 10 nas espaldas. Despontou de pronto apresentando as virtudes mais explícitas: contra o Peñarol, infiltrou-se na área e definiu com cuidado. Em uma tarde de muita névoa, no Jardines, achou um golaço de falta no momento em que provavelmente nem se enxergava mais a mata. Sorte que a neblina não toma partido, de modo que o goleiro também não viu absolutamente nada. Nos primeiros anos da carreira, já era o Recoba que encantaria Milão. No entanto, mais esforçado, rápido e vibrante.
Transferiu-se então para o Nacional, em uma negociação que movimentou os dois pólos do futebol uruguaio. Estava, na verdade, acertado com o Peñarol, mas o passe se desfez na última hora por conta de desentendimentos do seu empresário, o mafioso Paco Casal, com o carbonero. No Parque Central, outras duas temporadas e trinta gols. No grande cenário do futebol oriental, o Estádio Centenário, forjou um gol que terminaria na história. Contra o Montevideo Wanderers, apresentou traços maradonianos e atravessou o campo de jogo, driblando sete adversários. O Wanderers não é a Inglaterra, mas para quem escreve o tento de Recoba é ainda mais bonito que o de Diego.
Para Luis Prats, autor do livro “Montevideo, la Ciudad del Fútbol”, o lance está presente na memória do Centenário. Tanto que o episódio descrito como “Recoba eludiendo a medio Wanderers” aparece como um dos grandes acontecimentos da década de 90 naquele gramado. O êxodo, então, tornou-se insustentável. Representantes da Inter de Milão bateram no Las Acacias, o centro de treinamento do tricolor. Recoba já media mais do que o futebol uruguaio suportava. Na sua estreia pela Internazionale, iniciou no banco. Mas, faltando quinze minutos para o fim, foi mandado a campo: transformou em gol os dois primeiros chutes e virou o jogo para os locais.
Acertar os balaços que inauguraram a sua imagem europeia, no entanto, não bastou para que “El Chino” comemorasse a titularidade. Em pouco tempo veio o empréstimo para o Venezia, quadro salvo do rebaixamento muito graças aos bicudos de Recoba. O uruguaio marcou onze vezes em dezenove encontros, incluindo na lista um tento de falta sobre a Inter de Milão, que fez bem em pedir o seu regresso. Agora, o guri “de la Curva” atingia territórios que nem as ilusões proporcionavam. Emendou um ciclo de quase uma década na Inter de Milão, clube pelo qual conquistou seis títulos, e era o principal jogador da Celeste. Na Copa de 2002, tentou levar no lombo um Uruguai que não passaria da primeira fase.
Se os últimos anos já não eram de mesma luz, apenas em 2007 a realidade fez-se negra para o enganche. Chegava ao fim a sua expedição por Milão e o luxo que já havia se incorporado à rotina. Álvaro passou por Torino e depois pelo Panionios, da Grécia, para então repensar o destino das coisas que o rodeavam. Com pouco mais de trinta anos, não seria o vigor o principal fator da sua decadência. Acontece que Recoba, ao menos na Europa, não era exatamente afeito ao labor prático. Treinamento, concentração e esforço eram compensados, até então, pela canhota que o salvava nas horas mais necessárias.
Se correr apenas meio tempo se tornou natural, o mundo se complicou quando a técnica também deu sinais de piora. Recoba poderia seguir perambulando pelo lado B futebolístico do exterior por mais dez anos, se quisesse. Mas percebeu que era o instante de retornar. Quedavam três alternativas: Nacional e Peñarol, que uma vez mais peleavam pelo montevideano de olhos puxados, e o Danubio, que acenava timidamente com o início de tudo. Quando Recoba se mostrou interessado, o Danubio tratou de trabalhar. Apresentou um contrato de três anos, a numeração das jaquetas para livre escolha e o amor de todo um bairro.
Apresentou-se com um discurso emocionado que provoca até uma inveja branca, uma vontade de ver cenas semelhantes por aqui. O recomeço nas canchas serviu apenas para relembrar o quão era encardido o certame local. Recoba não se achava e o Danubio patinava. Chegou, então, o matreiro técnico Sergio Markarian, outro a aderir ao projeto. Com o passar das rodadas, a engrenagem se moldava ao Clausura. E Alvaro Recoba, depois de muito tempo, jogava futebol com alma. Talvez estivesse ali, no concreto e na vizinhança do Jardines, o que se perdera na Europa. Quinze anos depois, talvez pôde até reconhecer algum torcedor mais fanático nas arquibancadas. De volta ao Danubio, Recoba outra vez encanta. Foi o principal atleta do time nas últimas quatro rodadas, e nessa sequência aproxima a sua equipe das copas internacionais. Para estender o orgulho do pago a todo o continente.
Saludos,
Iuri Müller.




Excelente, Iuri. Obrigado.
clapclapclap
ele não tinha se machucado FEIO um tempo?
Bah, baita texto. Pena que não temos mais isto por aqui.
Iuri, o primeiro e o segundo link são iguais. E agora fiquei curioso pra ver esse gol pelo Nacional.
No mais, texto excelente, como de costume.
Como é bom esse Iuri, heinho Batista???
excelente texto, iuri.
Obrigado, Iuri, por mais esse maravilhoso texto!
Mas bah, não sei se é porque sempre fui fã do Chino, mas foi uma das paradas mais fodas que já li por essas bandas!
Caras como o Recoba dão saudade de um futebol que a maioria só ouve falar… E daqui alguns anos, nós falaremos pros mais jovens… (ns)
Abraços!
Cara, q piada isso q acabei de ouvir no rádio, do píffero. O Inter vai jogar de DOURADO pra homenagear o cara.
vergonha alheia total.
Parabéns,
#9
Chamou a derrota, lamentável…
#9 perderemos… mesmo
que pilha!!!!!
Ô, GuihochArbo, a fase já é ruim e tu ainda vem inventar mentiras, fjfgghgfd. Como não acreditei, achei uma besteira monumental da direção, “googlei” e não encontrei nada:
http://www.clicrbs.com.br/esportes/rs/futebol-inter
http://www.finalsports.com.br/03/inter.php
jklçklklklklklklklkjahjjjjjjjjjjjkaaam,ddddddd
arbo, a fonte da informação
mentira do arbo.
rá. mas o junior ficou com medinho.
adlskjglakldsgk
só antecipei o primeiro de abril, gurizada, relaxem. mas eu não duvidaria hein…
essa camisa é muito lazarenta…
Bah, Arbo, quase me matou no susto, fdp.
eu fiz minha parte e espalhei o terror aqui no trampo!
dane-se se é primeiro de abril… gurizada ta tremendooo
hauhauhauha tem q largar essa no twitter, pena q não tenho
http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Internacional/0,,MUL1552820-9869,00.html
PUTA QUE PARIU
#17, medinho não, MEDÃO, jkldfsd.
o link do ‘driblando sete adversários’ e ‘discurso emocionado’ são o mesmo vídeo
aqui o do golaço: http://www.youtube.com/watch?v=b5D9KCmT_Qg&feature=related
no mais, iradão o relato !
pena que joga no vasco do uruguai ahahah
Bah, estileira o coro, no final da entrevista:
“ole, ole ole ole, chino, chino”
açlfjaljflajfçlajf~lajf~lafã
que pilantra, esse arbo.
mas foi a melhor pegadinha até hoje no impedimento.
porra o chino podia ter passado no botafogo antes do danúbio.
já pensou, RECOBA,LOCO,HERRERA.
É O TRIO MERCOSUL ,QUEM NÃO FOR BOTAFOGO VAI TOMÁ NO CUL!
oooleeeee ole ole olaaa….. o trio vem aí e a mulambada vai chorar (8)
Ano passado eu ironizava o marketing colorado, era tratado como um TROLL (agora, também, reacionário e porco capitalista) e agora vejo uma declaração como essa:
- A gente vai homenageá-lo como grande colorado, nosso representante no BBB. Por ter dado mais esse titulo ao Internacional, ele receberá a honra – afirmou o diretor de marketing da equipe, Jorge André Avancini.
Como levar a sério um time que considera o BBB como um título?
.28
Eles colocaram faixa no estádio!!!
lksdjahdoa
Pior torcida do universo.
VAMOS RIR DELES VAMOS RIR DELES
hahahahaahahahahahahahahahah…
HAUAHUAHAAHZHZZZHZHIXH….
AIHIJSIAIHSIAISIHKAKKakjsiaisio
……….
SEGUNDA pior.
a primeira foi a coligay. uhuhuhuh
#29, pior é parabenizar no site o Fernando Alonso por um título na F-1 só porque o carro dele tinha azul. Ao menos, o tal Dourado é colorado e sabe que o Inter existe.
5ª série – mode: on
Tá, parei, fghtrsdvds.
rir? isso é prá chorar.
que vergonha.
não pelo inter, mas pelo FUTEBOL EM SI. Mostra como o neoliberalismo distorceu o ato de jogar bola.
vergonha. os dirigentes são usn vendidos mesmo… mas a torcida?
Logo o Inter, clube conhecido por levar multidões ao estádio (MÃE, Minha – 2009) segundo os torcedores mais antigos…
Deus me livre.
que horas eh o match mesmo?
vou ligar minha TURBINA
linkss sem putaria
http://2.bp.blogspot.com/_2XMiidJVrEQ/S7NNpa1nLzI/AAAAAAAAAes/xoCYVaNirCk/s1600/copiao.bmp
só agora me liguei na faixinha da racing stones.
porra, a torcida do racing é amiga de todo mundo.
Quem acompanha o futebol uruaguaio mais atentamente poderia dizer se existe alguma chance do Recoba ser convocado para a Copa?
Grêmio, nós que aqui estamos por vós esperamos. Façam o favor de despachar esse timeco do interior de SP. Nos vemos nas oitavas da Copa BR.
O treinador perdeu menos gols e o Inter venceu.
#37
Não existe. O Recoba é página virada na Seleção.
Me decepcionou o time uruguaio. Um retrancão sem nenhuma ambição, estilo time do interior do Gauchão. O inter, apesar dos pesares (alguns jogadores foram muito mal), mereceu vencer.
eu achei o retrancão bem competente no primeiro tempo.
no fim das contas, em quatro tempos de retrancão, ele deu certo em 3. Uma boa medida.
Pois é, mas se o Inter estivesse com o ataque mais confiante (sinceramente, Alecsandro é F****) e Walter não tá 100% pronto, duvido q o inter não tivesse ganho os dois jogos com muito mais facilidade.
Ah. E retrancão sem um contra ataque decente é só um retrancão. Uma hora ia furar.
Se o Inter quer ter alguma ambição na segunda fase da Libertadores precisa contratar um nome forte para o lugar do Alecsandro. Não dá pra ter um jogador com as características dele na titularidade. Precisamos de um ataque que se movimente mais.
Arerêêêê, BBB vale mais que a série B êê, êê!!!
Arerêêêê, BBB vale mais que a série B êê, êê!!!
Arerêêêê, BBB vale mais que a série B êê, êê!!!
Arerêêêê, BBB vale mais que a série B êê, êê!!!
Concordo com o Carlos, muito fraco esse time do Cerro…
Só vai passar de fase (se conseguir ser um dos 6 melhores segundos colocados) por causa da absoluta ruindade dos equatorianos…
Da metade do segundo tempo em diante, o Abbondanzieri assistiu o jogo de camarote, e isso que os uruguaios estavam perdendo de 2…
Hm, não falei fraco. Falei q era totalmente sem ambição.
até ONTEM a crítica era: “Esse Alecsandro não fica na área”
não lerei uma linha sequer amanhã.
Pois é, quando o cone sai da área suas limitações vem à tona, é desastre na certa. A questão é que não dá pra ter como titular um cara que só consegue fazer gol de cabeça ou de rebote. É um bom reserva para um jogo contra time retrancado em que o chuveirão é a única saída. O ataque precisa ser mais agressivo e rápido para termos alguma chance na Libertadores.
Claro que o julgamento não diz respeito à performance do jogo de hoje, é uma crítica estrutural.
Cone não foi mal. Dale e Kleber estavam dormindo. Walti Disney desequilibrou.
“A questão é que não dá pra ter como titular um cara que só consegue fazer gol de cabeça ou de rebote.”
teve um tal de Mário que deixou saudades na Azenha só fazendo isso…
LF, comparar Jardel com Alecsandro. Tá com muito sono, cara, vai dormir.
Você está satisfeito com Alecsandro, então? Acha que nosso ataque está solucionado?
Eu não sei como fica da TV, mas no estádio, mesmo com 2×0 e MUITA boa vontate, é quase impossível não xingar o castor.
– Tenta dar passe de PEITO e dá no pé do zagueiro
- Recebe a bola NA FEIÇÃO e passa da bola e fura o cabeceio
- TODO E QUALQUER cruzamento tá atrás do zagueiro (inclusive no primeiro gol)
- Quando sai da área, faz sempre a mesma jogadinha: dribla pra trás e vai correndo até o meio e passa pro lateral, que ao receber a bola vai cruzar para ninguém na área.
lógico que não estou comparando. ô preguiça.
mas bah, a crítica de “só faz gol de cabeça ou de rebote” ou “não se mexe dentro da área” me parece absurda. Não é o mesmo jogador que eu vejo jogar. O Alecsandro que eu vejo jogar é firuleiro, metido a besta e perde gol…