Um dos grandes craques da cidade não joga nem no Brasil, nem no Pelotas. No glorioso Farroupilha? Tampouco. Seu nome é Avendano Jr. Com cinqüenta anos de cavaco, o homem que trocava cartas com Waldir Azevedo pode ser encontrado nas sextas e nos sábados no Bar Liberdade, tocando choros e sambas.
Foi querendo vê-lo que fui ao bar no sábado (8), véspera do jogo do Brasil. Pena que o velho estava lesionado, digo, doente, e preferiu se resguardar em casa. Boa parte do time também tinha ido jogar fora de casa. “A maioria dos velhos tá tocando em Arroio Grande. Ontem tu ia curtir, tava muito bom”, me disse o jovem pianista Fernando.
Modéstia. O time que mesclava jovens e veteranos tocou bem demais com flauta, piano, violão de sete cordas, cavaco e pandeiro. Mas o mais lindo foi ver um casal que tomou conta do salão.
Ele, um negro esguio. Ela, mais baixa, branca, de cachinhos dourados. Já estavam certamente na casa dos setenta.
- Abrindo o salão, hein! – ouviram após a primeira dança, quando o grupo recém começara a tocar.
E assim correu a noite. Um que outro casal dançava uma música, enquanto os dois dançavam todas.

Estamos de olho, hein, Wilson?
Mas aí é que está o pulo-do-gato. Não ficavam como aqueles casais jovens, desesperados em frente aos músicos, sedentos pelo próximo número. Não. Assim que acabava um samba, os dois caminhavam até a mesa, nos fundos do bar, sorrindo orgulhosos diante das homenagens e gracejos que os demais clientes lhes rendiam.
O casal ensinava a todos como degustar cada momento e fazer com que os últimos anos sejam os mais duradouros. Quando a banda recomeçava, era preciso que ele iniciasse uma nova negociação para convencê-la a dançar. Ela avaliava. Invariavelmente, cedia aos galanteios e lá se iam os dois, faceiros.
Não esticavam os braços como dançam os normais. As mãos dela se entrelaçavam atrás do pescoço dele, e as dele, nas costas dela, como só fazem os apaixonados.
- Wilson.
- O meu é Terezinha.
- De Jesus – ele emenda.
- Não é de Jesus nada – caem na risada.
Descubro o motivo de tanta paixão.
- Estamos juntos há três anos, nós somos viúvos, os dois. Agora é que estou vivendo a vida. Ele não. Ele já gostava de sair.
- Vocês dançam até que horas?
- Ah, até o pessoal para de tocar.

Aprendam, jovens
Se o Brasil tiver essa disposição amanhã, pode contabilizar a vitória, penso eu. Concluo que nós, pobres jovens, não sabemos nada da vida ainda.
Enquanto eu curtia o som e tomava minha Judas Schincariolts, um garçom perguntou se eu podia acolher três viventes em minha mesa. Anuí. Eram dois coroas e um guri de uns 15 anos.
Samir, de 45 anos, vestia uma jaqueta do Brasil. Puxei o assunto do jogo e percebi que aqueles três poderiam ficar se gabando do clube do coração até de manhã. Vasco tinha pouco mais de sessenta e já fora diretor de patrimônio do Xavante.
Os dois contavam as histórias e olhavam firme para o guri, como quem catequiza. O piá, cujo nome eu esqueci, já parecia bastante catequizado. Igualmente ávido por uma CRISMA, porém, ouvia tudo com extremo interesse.
Samir era o mais entusiasmado. “Se o Brasil bota ingressos a cinco reais, não tem estádio que chegue.”
“Em termos de torcida, nós não devemos nada para Inter, Grêmio, Corinthians, Flamengo”, complementava Vasco, enquanto eu e o guri éramos alunos disciplinados.
Samir conta sobre uma partida decisiva de Gauchão em que o Bento Freitas estava interditado e o jogo foi em Rio Grande. “Levamos duzentos ônibus, não havia estádio pra todo mundo. O Grêmio estava ganhando e nós empatamos nos descontos. O Brasil é um time de façanha, sabe?”

“Xavante é clube de façanha”
Para ele, enquanto as outras torcidas fazem “Tum”, a Garra Xavante faz “Tum, Tum, Tum, Tum”. “A torcida do Brasil supera a as da Dupla Grenal.”
Embora achasse que o placar da partida em Pelotas seria três a zero, Samir disse que iria a Minas qualquer que fosse o resultado. “Se a gente ganha ou perde, a farra é a mesma.”
Aí se pôs a narrar as histórias de canhas, churrascos e confusões que os xavantes já propagaram por essas caixas de comentários. E me perguntou:
- Tu nunca viajou com uma excursão da torcida xavante?
Com a minha negativa, apenas sacudiu a cabeça como quem diz:
- Esse aí não entende nada.
Último texto da viagem de Felipe Prestes a Pelotas por meio de um projeto-piloto da ImpedCorp para financiar coberturas nos mais distantes rincões do continente. Agradecemos sobremaneira aos que colaboraram. Em breve, mais expedições impedimentenses. O restante do material enviado por Prestes está aqui, aqui e aqui.

essa foto de seu wilson cheirando o cangote de dona terezinha é de por na moldura…
“Aprendam, jovens”
Aprendam, jovens…HAUHAUHAUAHUAHA
MORRI.
A gurizada de hoje nem sabe que cheiro tem um cangote feminino. Mas perguntem pra um desses merdinhas de colégio o que é TWITTER pra ver.
“nossa missão não é outra que não EDUCAR a juventude”, já dizia o CAPSLOUCO Douglas Ceconello.
Grande texto Prestes,
parabens de novo!!
Bah, mandou muito bem, Prestes.
É muito TERNURINHA aquela foto da dança.
Texto sublime!
Impedimento em dia fantástico…
Valeu, gurizada!
MAIOR CASAL!
Samir não seria um pescador???
Báh, muito fui no Liberdade Prestes, e ainda apareço lá um final de semana ou outro que vou a Pelotas. Muito massa a reportagem cara.
Nesse dia não tinha uma ceguinha cantando?
Que afudê, Paul! Olha, che, acho que não tinha não.
Prestes, grande desbravador da alma pelotense. Faltou tu conhecer a Banda Democrata e o Sobrado.
Samir conta sobre uma partida decisiva de Gauchão em que o Bento Freitas estava interditado e o jogo foi em Rio Grande. “Levamos duzentos ônibus, não havia estádio pra todo mundo. O Grêmio estava ganhando e nós empatamos nos descontos. O Brasil é um time de façanha, sabe?”
“Prestes, grande desbravador da alma pelotense.”
Melhor elogio! E não me venham com chacotas que Pelotas não merecer!
Afudê o vídeo, AK!
A partir dele, puxei esse aqui. Paulo Santana completamente dominado pela CANJIBRINA.
Prestes, sensacional aque teu “anuí” e de lamentar não teres curtido o grande Avendano Junior.
“Correntinha do Adílo”!!!!! hAHAHAHAHAH
Reza a lenda que o Adílio foi vítima de PUNGA durante o jogo de 1985.
Um pouco de marketing:
Comentário do Comandante da AZUL na volta:
“Queremos cumprimentar os Xavantes que foram e voltaram com a AZUL,e que apesar da derrota,não podem nunca esquecer que o GEB é O ÚNICO TIME DO MUNDO QUE A MAIOR ATRAÇÃO NÃO É O TIME,NEM A INSTITUIÇÃO,É A TORCIDA!!!”
Recomendo um ótimo filme brasileiro chamado “Chega de Saudade”. Quase todas as cenas do filme são em um baile da terceira idade, com personagens que lembram o seu Wilson e a Dona Teresinha.
Valeu, Xavante. Agora vou IMPRIMIR o comentário e ir lá na GERÊNCIA da empresa tentar descolar umas PASSAGENS ou, sei lá, umas AEROMOÇAS.
Porque às vezes os vídeos do TU TUBO se EMBEBEDAM nos comentários e às vezes não?
Paulo Sant’ana em CHAMAS.
por favor, percebam o que acontece aos 1:05 do vídeo do AK [#13].
FATALITY.
Paulo Sant’ana MITO…HAHAHAHAHAHAHAHA
“vou com o Brasil a Tóquio…hahahaha
Luizinho botava a bola onde queria na bola parada…
Naquele inverno tomei muita canha com Guaraná NEVADA antes dos jogos na Baixada
não entendi o fatality,
tu não viu o carrinho, LF?
E depois do xavante ter jogado no Aldo Dapuzzo foi ao Olímpico e matou o Grêmio, hehehe, isso em 1998.