Não era de muitas palavras o velho frei. O pouco que saía de sua boca, entretanto, se não era santo, era sábio.
- Feios e lisos, só nos restam os miolos – me dizia com a dose de Dreher já entre os lábios.
Aposentado da batina há alguns anos, era presença cativa nas quintas do Jacaré.
Com a parca glória me subindo à cabeça – devo confessar que me imaginava imortalizado em pôsteres, depoimentos de amigos de infância no Arquivo Confidencial do Faustão, minha biografia escrita por Franciel Cruz com o título ‘A verdade que salva e liberta’ – comentei com o frei que estava pensando em escrever um novo texto para o Impedimento.
- Quem muito fala pouco diz – soltou entre um amendoim e outro.
Já estava me preparando para retrucar quando me passa pelo balcão um pedaço de gente que, pelo pescoço inexistente, reconheço ser prole do Jacaré. Todo faceiro, ostentava orgulhoso uma camisa do Gordo.
O vetusto pastor de ovelhas, limpando as cascas da coxa, com a calma que seus cento e vinte quilos exigiam, aprumou-se na cadeira e por baixo das hastes amareladas dos óculos iniciou a homilia:
- Meu pau é pequeno. Começa assim teu texto.
Cuspi meio copo de cerveja. Se vocês juntarem isso ao fato de o antigo pescador de almas falar tão alto como nos tempos de púlpito, vão entender porque todo o bar olhava para nós agora.
- Veja o Kid Bengala, por exemplo. Perto desse cavalheiro me sinto um japonês saindo dum banho gelado. O rapazola tem uma senhora jeba. Nem parece humano. Se houvesse um Deus do Falo, o Kid era a reencarnação. E é justamente nesse ponto que eu quero chegar. Não na bengala do Kid, veja bem, mas no fato de ele ser um semideus a intimidar os pobres mortais e seus treze a quinze centímetros.
E falo isso pensando nessa camisa que o filho do Jacaré está usando agora. Comparar a badalada nove do gavião paulista com a modesta onze do Ferrão cearense de seu genitor é quase tão injusto quanto a bengala do Kid e o amendoim dos mortais tupiniquins.
Mas vamos com calma, meu filho. Antes de amarrar uma pedra no bilau e jogá-la do décimo segundo andar, pensemos um pouco. Deixemos a discussão fálica para outro momento e nos atenhamos às quatro linhas, pois como dizia o primogênito dos Irmãos Marx, a sociedade não se coloca problemas aos quais não possa resolver.
Nossos deuses são pequenos. É fato. Mas isso não os faz menores. Veja aí o Bola da vez. Artilheiro contundido, desacreditado do futebol, volta a campo e mete gol atrás de gol. Linda história, que fica ainda mais bela sob a luz e a baba dos holofotes.
Pois nesse vale de sombras que é o futebol caeté também temos nossas fênix que o pó levantam, galopam, voam, mas não deixam traço!
O corcel desse ano foi o Calmon do teu Clube de Regatas. Calmon que já galopara por dezenas de clubes, contundiu-se seriamente ano passado e, com a mãe doente no interior das Minas Gerais, já pensava em desistir do futebol. Mas como toda boa fênix, recupera-se da lesão na Agremiação Sportiva Arapiraquense e, a pedido da própria mãe, retorna ao futebol pelo Galo de Campina. O resultado você já sabe: artilharia do campeonato com treze gols, sendo dois deles na virada histórica contra o CSA no Clássico das Multidões.
Calmon não levantou a taça do estadual desse ano como o primo rico em São Paulo. Mas como o primo rico, botou a boca no trombone contra os desvarios da cartolagem. O primo rico recebeu elogios do Kfouri, o pobre a dispensa do clube. Irá continuar seu galope por outras pradarias.
Calmon por ser pequeno não deixa de ser deus. Um deus caído, sim, mas palpável, verossímil, que me cumprimenta vez ou outra na churrascaria aqui da esquina, e não esses fantoches recém-saídos da puberdade, com fedor de mijo e a Europa na cabeça.
Quanto maiores os pedestais em que vão se colocando esses deuses, mais distante eles vão ficando dos mortais pecadores que somos todos nós. E, quando descobrir o idílio prazer de torcer por seus onze anjos caídos enquanto taca casca de mexerica no banco de reserva adversário, o filho do Jacaré aqui vai deixar rapidinho essa camisa aí pra pano de chão.
Mais uma sonora colaboração enviada por Thalles Gomes, “regatiano e retirante”, que recentemente já nos havia agraciado com seu talento.

Dá-lhe!
Épico!
Huaaaaa
Belo texto!
“e não esses fantoches recém-saídos da puberdade, com fedor de mijo e a Europa na cabeça”
Mais pura VERDADE…
massa!
Thalles,
meu bom samaritano, não seja modesto.
Você, mesmo nos devaneios, merece um biográfo melhor.
Afinal, ao contrário do menino Calmon, eu não acredito em si próprio, isto é, em mim próprio.
Quanto ao texto, furto a menina Izabel: Massa.
Ops, esqueci a explamação.
Massa!
Agora sim.
Explamação, sêo Françuel, é a puta que lhe pariu, seu analfa.
O certo é exclamação.
Que porra!
Não vamos ter um post aqui para acompanhar o futuro adversário do campeão da Liber em Dubai?
Barcelona x Monografia.
Perdi.
Porra, Eto’o = Winning Eleven.
Eto’o >>>>> Obina
GENIAL!
to louco ou é a lixarenta da miriam lacombe comentando na record?
barcelona > história da arte ocidental
É ela mesmo.
SER Cidreira >>>>>>>>>>>> Barcelona
Abel Braga >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>Alex Fergie
Celso Roth >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>TUDO
http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Internacional/0,,MUL1168753-9869,00-FOTO+MAGRAO+EXIBE+CHUTEIRA+PERSONALIZADA.html
merda, pressinto coisas ruins
sobre o famoso comentário #17, acabei de pensar algo…
o rastreamento de ip apontava para a suéria, não seria alguém acessando o site de um celular wap, ou algo assim, fabricado, sei lá, pela ericsson/motorola/nokia??? (são finlandeses, eu sei, mas azar)
SUÉCIA!!! SEU RETARDADO
milly lacombe coprófaga.
Ok, hoje, só HOJE, o Eto foi melhor que o Obina.
Isso porque o Obina não entrou em campo, injustiça! Quem sabe mais tarde, contra o Nacional.
Sim, Nacional, não o Manchester, com essa zaga horrível.
Obina > Eto
Nacional > Manchester
Falar a verdade, não sei se o Palmeiras joga contra Nacional ou Estudiantes, mas enfim:
Nacional > Manchester
Estudiantes > Manchester
Decisão de Mundial em Dubai é pós-modernismo demais pra minha cabeça… mataram o “RUMO A TÓQUIO!”.
HEREGES.
Sim, belíssima homília, Thalles. A partir do momendo em que KID BENGALA se tornou link do Impedimento, estas palavras já se destinavam à glória.
mto bom o texto, Thalles. escreva sempre.