Com as calças na mão

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A polícia paraguaia armou um forte esquema de segurança para a aguardada partida entre Libertad e Cerro Porteño. A imprensa esportiva só falava em Libertad e Cerro Porteño. A preocupação foi tanta que os torcedores eram obrigados a TIRAR O CINTO para entrar no estádio Nicolás Leoz. Mas na cancha os jogadores não corresponderam à expectativa da torcida, que teve de assistir a uma sofrível partida, literalmente, com as calças na mão.

Como desta vez eu não teria problemas com o transporte coletivo, imaginei que seria tranqüila minha jornada em La Huerta, simpático apelido do estádio do Libertad por ter sido construído onde havia uma plantação de repolhos.

Mas às vezes eu mesmo subestimo minha capacidade de me meter em roubadas.

Comprei ingresso para as graderías por mais ou menos sete reais. Ao passar pela revista policial, porém, fui advertido: de cinto, meu amigo, não entra.

Demorei para compreender. Até que uma policial me explicou que os torcedores andavam usando o poderio das fivelas para agredir os oponentes. No lado de fora já havia um pequeno amontoado de cintos deixados por torcedores. Um deles lamentava: “eu paguei 60 mil guaranis!”. O Pedro Paulo dava de ombros: foi avisado na imprensa, agora azar.

Ainda tentei argumentar, que era brasileiro, não torcia para nenhum dos times e não tinha em vista agredir ninguém com minha fivela. “São as regras, para todos. Todos são iguais”, respondeu firme a policial. Longe de mim querer prejudicar as relações bilaterais entre Brasil e Paraguai, mas ao mesmo tempo não queria que meu cinto, um presente que ganhei há pouco, fosse segurar as calças de outro cidadão.


Arma letal.

Fiquei do lado de fora, matutando uma estratégia. Logo lembrei de quando escondíamos toda a sorte de pertences do lado de fora do CLUBE DO COMÉRCIO, para pegar depois dos bailes de Carnaval, ainda que até hoje eu não lembre onde escondi uma TULIPA que comportava o conteúdo exato de uma garrafa de cerveja.

Fui para um lado de um carro, mais afastado, e simulei uma urinada. Fingindo sacudir as mãos e ajeitar a braguilha, abaixei-me como quem ata os cadarços, e escondi o cinto em baixo de um carro, junto a uma das rodas.

Fui ver o jogo que, em si, foi sofrível. Em alguns momentos era difícil acreditar que ali estavam o representante paraguaio nas oitavas-de-final da Libertadores e o líder disparado do Apertura. Nos poucos lances de perigo, quando a torcida toda levantava, eu aproveitava para erguer as calças.

Mesmo pouco organizado o Cerro conseguia chegar mais ao ataque, sob a liderança de Jorge Britez e de um lépido e faceiro lateral direito que corria por todas as partes do campo. O Libertad tinha mais organização, mas pouco poder ofensivo numa noite em que o artilheiro Juan Samudio se esforçou, mas pouco fez. Marin, o projeto de Guiñazu que o Libertad foi buscar na Colômbia, também esteve em jornada apagada. Emoção mesmo era ver, no arco do Cerro Porteño, Roberto “Gatito” Fernandez, herdeiro do maior goleiro da história do Internacional.

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Gato Fernández, te extraño.

O Cerro reclama de pelo menos uma penalidade, não anotada pelo juiz que durante todo o jogo pendeu para o time local: como o futebol era pouco, os jogadores partiram para o coice, mas o apitador era sempre mais condescendente com a turma do Libertad.

O empate em zero a zero acabou beneficiando o Cerro Porteño, que conseguiu manter os cinco pontos de distância do Libertad, terceiro colocado. Tanto que a torcida azulgrana saiu de campo festejando, conforme havia feito antes e durante a partida.

Nos demais jogos da rodada recheada de empates (foram quatro em cinco jogos), o Impedimento demonstrou mais uma vez sua capacidade de desafiar o destino. Um dia depois de escrevermos sobre a campanha de zero pontos do 3 de Febrero, a equipe conseguiu a sua primeira unidade, ao empatar em casa com o Tacuary. E o Rubio Ñú sentiu na pele o peso de um elogio do Impedimento: perdeu para o Dia da Criança com um gol sofrido aos 48 minutos do segundo tempo, amargando a segunda derrota consecutiva. Acertamos todas as previsões, só que ao contrário.

Olímpia e Guaraní folgaram na rodada, e a classificação ficou assim:

Time                    P – J
Cerro Porteño    22 – 9
Nacional               18 – 9
Libertad               17 – 9
Luqueño              16 – 9
Rubio Ñú             15 - 9
Tacuary               13 - 9
Olimpia                11 - 8
12 de Octubre   11 - 9
Guaraní                8 - 8
Sol de América 7 - 9
2 de Mayo           5 - 9
3 de Febrero      1 - 9

Se meu cinto estava lá depois do jogo? O final, Você Decide.

Um abraço,
Daniel Cassol
Fotos: Fútbol a lo Grande e Acervo Geral da Internet.

Publicado em Nacionais, Pela América. ligação permanente.

0 Respostas a Com as calças na mão

  1. douglasceconello diz:

    sahusahusausaasuhuhsa

    Muito bom, cara. Prevejo NUDEZ TOTAL nos próximos jogos, pois, partindo deste princípio, o cara pode fazer um NÓ na perna da calça e largar NAS FUÇA dos oponentes.

    GATO Fernandez > ARCANJO GABRIEL (ns).

    Ah, preciso dizer. Lembrei da famosa DANÇA DO CINTO (Egs, ME ACODE) nas festas da Fabico. Quando a gurizada já estava com o MELÃO LATEJANDO DA CANJICA, os artefatos de couro eram sacados para um fundamental rito de embriaguês, com danças LASCIVAS e, às vezes, CINTADA NA CARA de todo mundo. Aquilo que era BACHARELADO.

  2. beretta diz:

    Não li o post.

    Li o comentário do Seco.

    Morri.

    aeaheoaehaoehaoehaouehaoehaoehaoehaeohae

  3. fino diz:

    Imagino a cara do Cassol, bem pacato escondendo o cinto e achando que tava enganando o universo… jklsdfajklsdfajkl

    Já fiz isso com uma caneca de chopp antes de jogo do Grêmio, mas algum fia das puta já tinha roubado o treco quando voltei

  4. Álisson diz:

    Comentário do Secco foi um post a parte.

  5. dante diz:

    já vi a dança do cinto do egs e NÃO RECOMENDO.

  6. Bah, a foto do Gato Fernandez é genial por si só.

    Proponho mantermos o Cassol nos Paragua para ele continuar escrevendo estes posts, são sensacionais.

  7. arbo diz:

    uahfuahuahauh
    mto bom cassol. tô contando tuas indiadas pros sogros, hj é aníver da bi, vai ter janta, contarei mais essa. conta o final, ó desgraçado, filho da glória!
    já fiz várias dessas de esconder pra buscar depois tbm. mas agora fiz com minha memória, qdo achar volto e conto.

  8. Camilo diz:

    “Emoção mesmo era ver, no arco do Cerro Porteño, Roberto “Gatito” Fernandez, herdeiro do maior goleiro da história do Internacional.”

    CONCORDO EM GENERO, NUMERO, E DEGRAU

  9. arbo diz:

    “perdeu para o Dia da Criança ”
    ushuaialuque

    y aguante rubio ñu!

  10. Prestes diz:

    uhhuadfiphdpfudsag´hgaudghdughahgadfhgdghd´fgha´dha´dfgh

    Sensacional essa história do cinto.

  11. Ismael diz:

    haushashaushaushaushuahushuahsuahus

    Absolutamente GENIAL!!! O Cassol tem uma verdadeira VOCAÇÃO para indiadas.

    Ah, uma constatação importante: Por favor amigos, voltem com os palpites da LOTECA, é a minha chance de ficar milionário apostando tudo AO CONTRÁRIO!

    husahuashuahuashuhasuhauhsauhsua

    fico imaginando onde andará o cinto a essa hora… hauhsuhauhauhauh

  12. Álisson diz:

    Bah final dessa história do cinto tem que surgir logo!

    Cassol = Davi Coimbra

    (Desculpa, foi mal)

  13. Franciel diz:

    Cassol,
    você que entende de cinto, onde é que encontro um com uma fivela bem forte para dar uma lapiadas no pessoal de marquetingue do Vitóriia?

    Primeiro, eles inventaram de mudar o nome do BRIOSO. Ontem, me fizeram penar mais de 40 minutos numa fila, conforme vocês podem comprovar clicando em meu nome.

    Agora, achando pouco, lançaram a seguinte campanha. Ouçam.

    http://marketingecv.wordpress.com/2009/04/13/novo-projeto-vitoria-200-anos-capsula-do-tempo/

    É graça uma porra desta?

  14. Daniel Cassol diz:

    Bah, comentário do Douglas simplesmente SUPLANTOU meu post. Durante o jogo, escrevi mentalmente um parágrafo para mencionar a lendária Dança do Cinto imortalizada por Elvis e Egs na Fabico. Mas esqueci de botar no “papel”.

    E outra que não contei: tinha um cara com a camiseta do Grêmio, o que no placar de camisetas da dupla Gre-Nal avistadas em Asuncion em 4 semanas dá 5 a 0 para os tricolores.

    E o cinto estava lá! Sou malandro, rapaz.

  15. arbo diz:

    na última vez q fui, cassol, deu 1 a 1, sendo q a camisa gremista vesti eu.

  16. fino diz:

    Show do Bebeto hoje no Opinião. Recomendo.

  17. Daniel Cassol diz:

    Show de voleios?

  18. Eduardo diz:

    Farroupilha 0 x 2 Bagé – Sensação da Segundona. E agora guarany???? Pode trazer o Branco, o Romário, o Rai, o Mazinho quem quiserem mais….

  19. douglasceconello diz:

    Bah, é uma mistura de SIDNEY MAGAL COM CAETANO VELOSO.

    E aquele gurizão sem TELHA ali do lado, quem é?

    idshgifuasdgfyuasdgfuf

  20. fino diz:

    bobinho

  21. dante diz:

    aquele é o WAINE ROONEY.

  22. Lucian diz:

    Esse Botafogo é um timinho frango mesmo.

  23. EGS diz:

    BAITA POST.

    Cassol eh o MAIOR JORNALISTA VIVO, nao canso de dizer.

    E aviso a todos que comprei um CINTO ZEBRADO, que pretendo estrear PRA CIMA DO DANTE quando voltar ao PORTINHO.

    (Douglas, me busca de TOWNER).

  24. dante diz:

    me fudi.

  25. Gustavo diz:

    Interessante historieta.
    Afinal, qual é a tua missão no Paraguai, Cassol? Estás trabalhando para qual jornal?

  26. arbo diz:

    bah, gustavo. não menospreza os braços da impedcorp assim…

  27. Gustavo diz:

    Estou perguntando sério…

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