ou O nome de um time é o seu destino
A mais esperada, comentada, elogiada, vilipendiada e aliterada resenha esportiva do Norte e Nordeste de Amaralina começa agora com o seguinte axioma (Caixa alta, maestro, por favor): O NOME DE UM TIME É O SEU DESTINO. E antes que os espíritos-de-porco, como contraponto a esta minha assertiva, invoquem a trajetória do brioso Esporte Clube Vitória informo que, sendo a exceção, confirmamos a regra, pois glórias contínuas não nos interessam.
Porém, chega de lero viajandão. Afinal isto aqui é o CARTESIANO Impedimento – e não a CAIXA DE COMENTÁRIOS do blog da Vedete de Santo Amaro. Assim, para que a distração não se aposse deste racional e concentrado locutor, solicito ao motô que aterrisse logo, pouso forçado, pois vou voltar à tese proposta. Repetindo: o nome de um time é o seu destino. E ilustrarei tão infalível teoria contando a incrível e triste história do glorioso ECPP no desalmado Campeonato Baiano.
Seguinte.
Há muito tempo, exatamente no ano da graça de 2005, numa galáxia distante, muito distante, chamada Vitória da Conquista, surgiu uma equipe que mudaria a história do ludopédio baiano e, como conseqüência, latino-americano com a seguinte e REVOLUCIONÁRIA proposta: “trazer Vitória da Conquista de volta ao cenário das grandes jornadas esportivas, fazendo um futebol competente não só gerando resultados, mas acima de tudo, apaixonando torcedores e criando novos cidadãos e profissionais de talento, capazes de devolver a alegria nas tardes de domingo a nossa cidade e região”.
Pois bem. Apesar desta singela carta de intenções, a referida agremiação começou logo botano prá vê tauba lascá ni banda. E ganhou, com sobra, a acirrada Segundona do Baianão de 2006. No ano seguinte, continuou prosperando e alcançou a honrosa 8ª colocação na primeirona.
Porém, o melhor e o pior chegariam em seguida. No campeonato de 2008, a equipe assombrou a Bahia e uma banda de Sergipe. Contando com os préstimos de craques reconhecidos internacionalmente como Márcio Choquito, Chulapa e, principalmente, o arisco e fuçador Tatu, o escrete comandado pelo estrategista Elias Borges chegou à última rodada do certame precisando apenas cumprir a seguinte e fácil tarefa: BROCAR o Itinga pelo placar mínino e correr para a galera.
No entanto, na reta de chegada, a diretoria começou a se rebelar contra o nome original da equipe, batizada de Esporte Clube Primeiro Passo. E chiaram com razão, registre-se, afinal isto não é nome de time que se apresente. Parece coisa de escola infantil. Visualizai: “Hoje, grande decisão entre o Primeiro Passo X Favo de Mel”.
O problema principal foi que eles também desprezaram o nome de que eu mais gostava por conta deste comunismo que não quer me largar: ECPP, que me lembrava CCPP. Aí, a maldição soviética se abateu. Pra resumir esta prosa ruim, informo que a equipe tomou um sapeca de 5 x 0 do Itinga e o título, uma vez mais, veio para a galeria Rubro-Negra que venceu a poderosa equipe grapiúna do Itabuna.
Mas isto são águas passadas que, como diria Vicente Matheus, não movem redemoinhos. O fato é que esta crise de identidade tirou o título certo do ECPP, que agora quer ser chamado de Conquista. E esta indecisão na nomenclatura pode estar custando novamente o troféu a esta agremiação, que era franco favorita para a conquista do Baianão 2009.
Afinal (a falta de) um nome de um time é o seu destino.
P. S. 1 Como loucura pouca é bobagem, Vitória da Conquista possui ainda a mais insana história de torcida que conheço. A mais antiga organizada da friorenta cidade do sudoeste baiano (Sêo Françuel também é cultura geográfica) chama-se Gaviões da Jurema.
Até aí, como diria o filósofo Domingos de Souza, tudo bem. Acontece que a referida agremiação de torcedores fui fundada para torcer e vibrar pelo brioso Serrano, time que na década de 80 tinha como dupla de ataque os irmãos Kel e Zó. E eles infernizavam as zagas adversárias com tabelinhas de botar Pelé e Coutinho no chinelo.
Mas, derivo.
O fato é que o Serrano foi despontando para o anonimato até ser escorraçado da ultrajante Segundinha do Baianão. Ato contínuo, o Gaviões da Jurema passou a torcer para o ECPP, exibindo faixas nos estádios e as porra.
Quer dizer de tal falseta? Nada. Apenas pedir ao apóstolo Xico Sá que os perdoe, pois os conquistenses não aprenderam aquele seu ensinamento básico: “HOMEM que é HOMEM muda até de sexo, mas nunca de time”.
P.S.2. Nesta 15ª rodada, a maldição continua. O ECPP recebeu neste domingo uma bordoada de 2 x 0 do Itabuna.
P.S. 3. Esta prosa ruim vai para João Gilberto, Elomar (conquistense), Dorival Caymmi e Milton Ribeiro, para que ele veja que também “escrevo mal”.
P.S. 4 Chega! Câmbio, desligo.
Franciel Cruz

Tens razão meu caro, o nome do time diz tudo. INTERNACIONAL no nome e nas conquistas.
Muito bala esse texto. Aqui em Gravataí tem um tme que é chamado de Cerâmica e deverá ter seu nome mudado para Gravataí.
Agora, a ULBRA é ULBRA e não CANOAS como quer uma emissora de TV.
Aquele abraço, Franciel!
Mas fracassaste novamente. O post é ótimo.
#1
Falei com um amigo meu que joga no Cerâmica e vai continuar sendo Cerâmica o nome.
O engraçado é que na televisão a RBS chama de CANOAS, mas na rádio Gaúcha e na Zero Hora, eles chamam de ULBRA.
Qual a explicação pra isso?
“HOMEM que é HOMEM muda até de sexo, mas nunca de time”.
deusulivre!
aoehaehaeuhaeaouehaoehoaheouae
# 3
Plim-Plim!
Acho Rúbio Ñu muito poético. Se nao me engano, siginifica algo como “monte dourado”.
E ontem eu tava de bobeira aqui e comecou um foguetòrio no bairro Trinidad. O Rubio Nu ganhou de 1 a 0 do Olimpia, fora de casa. Terceira vitoria do time do Arce.
“rubio ñu” claramente quer dizer LOIRO PELADO.
não MISTIFIQUE, cassol.
***
o post é excelente. nunca tinha ouvido falar de uma TORCIDA INTEIRA que virou a casaca.
o futebol é mesmo uma boceta de surpresas.
***
#3: sugiro uma busca pelo blog, já discutimos muito isso por aqui quando tu ainda não era nascido, beretta.
[folguei, lkajsdalksjdlkasjdklajsdkljas]
#7, versículo 3: ahuahuahuahuaauha
Esse lance Ulbra, Canoas e Globo já tem tanta informação no impedimento que eu até poderia fazer a minha monografia sobre esse assunto.
Perdi, de novo.
hoeahaoheaheaohaoehaohe
Nacional Querido diz tudo mesmo.
Sensacional, seu Françuel!
dante já fez todos os comentários possíveis em #7.
Explicado agora o ECPP, que eu uma vez cheguei a pensar que fosse Esporte Clube Puta que o Pariu.
Genial, Seu Francis, como sempre!
RETRIBUO A GENTILEZA do renato k. afirmando que Esporte Clube da [eu acrescentaria só o "da"] Puta que o Pariu é o MELHOR nome de um clube de futebol.
Eu já disse mais repito, o mascote do Bahia é o Super-Homem. Como o Vitória da Conquista é verde, uns torcedores do clube fundaram uma orgnizada e a batizaram de KRIPTONITA.
Senhor Franciel, seus textos são de rara excelência.
Mas a sigla da União Soviética em uniãosoviético era não CCPP, mas CCCP, o que em cirílico (nada tem a ver aparentemente com o fracassado pretendente da Maria Joaquina em Carrossel) significa SSSR, sigla para Soyuz Sovetskikh Sotsialisticheskikh Respublik.
CCPP seria, no máximo, o Clube de Criadores de Pássaros do Pará.
A culpa é de Douglas.
CRIPTONITA ! A primeira Torcida Organizada do ECPP ,já que a gaviões do Jurema só reapareceu posteriormente se não me engano na partida diante do Vitória de 2008,além da CRIPTONITA ser a maior e a mais vibrante da Cidade e já conta com um troféu Armando Oliveira,como a melhor Torcida do Interior Baiano…