‘29°55’12” S, 51°10’48” W
Aclimatado ao verão e dando graças pela época dos vestidos de alcinhas, dedico algum tempo a compartilhar com vocês a impressão que eu tenho a respeito do futebol em Canoas. Aliás, futebol aqui na cidade é algo meio distante como, sei lá, Ushuaia. Depois de Ijuí e Novo Hamburgo me atrevo a apresentar Canoas, essa espécie de Chelsea com praia.
A ilha de Lost do futebol gaúcho dá a impressão de ter tudo o que precisa para ser mais respeitosa ou mesmo incentivadora do futebol: 330 mil habitantes, poucos acidentes de relevo e pelo menos uns cinco ou seis times que, se apoiados, poderiam fazer um jeito nessa peleia que é o gauchão, nem que fosse na série B. Só numa levada podemos citar: S. C. Oriente, E.C. Sul América, C.R Brasil, E.C. Rio Pardo, Collaziol Scottá, E.C. Paineira – que é um clone do Palmeiras, em logotipia, cores e a manha de não ganhar nada.

Não temos futebol, mas temos um avião no meio da praça.
Não suspeito, porém, que algo possa estar errado com a nossa água ou com o ar que respiramos. Só que, de qualquer maneira, é triste saber que a tua cidade não tem um mínimo movimento mais incisivo em direção ao futebol. E isso ao longo de 26 anos, o pouco que até agora vivi. O que não deixa de ser preocupante, porque pode ser ainda mais antigo o problema. Para ter uma idéia, em 2000, nosso único representante no Gauchão da série B era o catatônico Canoas F. C., que, assim como surgiu, desfaleceu em um MOONWALK ad eternum pelo limbo do futebol mais islâmico do Brasil.
Alguém há de perguntar ou não pelo que eu teria como Plano B: a Ulbra (chupa, RBS; o nome do time é S.C. U L B R A, querendo vocês ou não). Justifico dizendo que até a Ulbra ter uma torcida com cara de torcida – e não me refiro à multiplicidade de idéias ou correntes que desejam sobressair-se em relação a outras. Falo daquele troço apaixonado e doentio, uma identificação que nós temos aí por Grêmio, Inter, Xavante, Noia… Se não for isso, pode ser pela relação meio distante até fisicamente, entre os canoenses com seus times, como se o futebol fosse um troço intangível
Pago um SACOLÉ de limão para quem conseguir chegar sem medo à sede do Canoas. E falo no sentido literal mesmo. Relativamente próxima do centro da cidade, a sede do Canoas fica em uma área que equivale a uma Vila Maria Degolada para os naturais da capital. Evitem!
Há duas décadas saímos de Ipanema, em Porto Alegre, para morar em Canoas. Estive no Mato Grande, bairro do estádio, duas vezes nesses 20 anos: uma quando atacava de interessado na Associação de Proteção aos Animais, muito mais pela loirinha voluntária que quebrava a vala com seus shortinhos, e em uma segunda oportunidade fui justamente para acompanhar um treino do Canoas.
Resultado da segunda? Fui assaltado (perdi, perdi!!) em plena luz do dia em um dos becos próximos do estádio enquanto ia acompanhar um treino e jurei não haver terceira expedição ao bairro, não sem antes entrar em contato com a Ouvidoria da Prefeitura e amaldiçoar até a quinta geração da família Lagranha, em três vias, o que não resolveu o meu problema, mas garantiu uma resposta divertida por parte do Executivo municipal, algo que dizia, resumida e educadamente que o azar era todo meu por ter sido lesado.
Curioso é que aqui também tem uma fonte de água mineral (perto da engarrafadora da temível e lendária caninha 7 Campos) e os dois estádios ficam mal localizados, diria até quase fora do município.

As taças esperam o que comemorar.
Se fizermos uma análise rápida e desprovida de conhecimentos geográficos e, por quê não dizer cartográficos, vamos constatar que o complexo esportivo da universidade está mais para Esteio do que para Canoas. Afinal, a EXPOINTERLAND fica ali, atrás da Petrobrás, coisa de 2 quilômetros, mais ou menos. Pode ser que eu esteja analisando só com a predisposição para avacalhar tudo, mas me parece que nosso futebol está tão marginalizado quanto à posição de seus respectivos estádios.
Acredito que o acesso, ou melhor, a falta dele, afasta as pessoas que fazem um baita número em matéria de paixão pelo esporte: o proletariado (valeu Marx). Sinceramente, não é fácil chegar de ônibus dos dois endereços maiores do ludopédio canoense. Enquanto em Porto Alegre até ônibus errado passa pelo Olímpico ou pelo Beira-Rio, deste lado de cá do Rio Gravataí é preciso muito mais do que R$ 2,10 para chegar aos estádios.
Para o Mato Grande, por exemplo, a partida de ônibus se dá de hora em hora nos horários de maior movimento, podendo chegar a duas horas de intervalo, nos finais de semana e feriados. Para a Ulbra, pouco mais fácil, até por conta de ser uma universidade, mas dependendo do bairro em que se está, são necessários dois ônibus, umas duas horas de espera e mais de R$ 4 de contribuição para uma única empresa. Sim, temos esse lance do monopólio há muito tempo mesmo e não parece que vai mudar tão cedo.

Canoas? boa para a Refap, nem tanto para o futebol.
Esse, meus amigos, é o cenário do futebol dito profissional na cidade que tem um avião em uma praça e uma linha de metrô que divide a cidade. Algo como Canoas Ocidental e Canoas Oriental. E, pô, o mais engraçado é que dá pra perceber como as coisas são diferentes de um lado e do outro da linha do metrô, mas isso é papo pra outra hora. Agora em 2009 só temos a Ulbra, para quem não torcerei nem querendo. A tentação é grande, consigo ver o estádio da janela do meu quarto até. Mas prefiro jogar Winning Eleven do que torcer para os luteranos que formam um clube nada simpático e recebem pela sua empáfia a escassez de torcida.
Agora em 2009, assumiu um prefeito companheiro assumiu a boléia da cidade. Está na hora de pegar uns manos de aba reta que ficam pagando de funkeiros no shopping e botar pra jogar bola no Capão do Corvo e nos outros dois parques esportivos, a saber, Centro Olímpico Municipal e Parque Eduardo Gomes, como antigamente rolava. Se não dá pra fazer frente com um time confirmado, pelo menos tira a gurizada das ruas.
A dupla Gre-Nal parece-nos suficiente para suprir a dose de paixão e loucura que precisamos ter pelo futebol, pelo menos para grande parte da nossa gente. A proximidade com Porto Alegre provoca isso. Afinal, Canoas por muitos anos foi considerada cidade dormitório e ainda a vejo assim, já que trabalhando e estudando em Porto Alegre, quando estou em Canoas ou estou dormindo ou estou tentando decifrar os segredos da condição humana. Daqui de Canoas, torço pela boa vontade e seriedade com o esporte em geral. E também pelo povo, que embalada pelo fenômeno de marketing Barack Obama acreditou que YES, WE CAN.
Contribuição de Juca Araújo, que abriu mão da carreira de zagueiro e volante esforçado e até por vezes desleal interrompida na segunda rodada do amador de 1996, como conseqüência (M$ Word e o trema são um velho caso de amor) de um experimento científico com THC e álcool etílico aos 14 anos. E também porque tinha ficha na Liga Canoense de Futebol como atleta de dois times, Guarany e Esporte Clube Sul América. Sério: era brother dos dois treinadores e, como cada chave (Sul América na A e Bugrinho na B) jogava em um sábado ou domingo, cada uma no seu quadrado, achei que tava na boa!
Fotos: Skyscrapercity.com, João Paulo Flores/Corsan e Divulgação/Promonen engenharia.

Ganhei o dia. Grande contribuição, Juca.
Quanto o nome do Ulbra, a RBS chama corretamente no ZH e na Rádio Gaúcha. Na TV, ela obedece a uma ordem da Globo…
EM tempo: o texto é ótimo, e poderia muito bem ser aplicado a Porto Alegre fora os dois grandes…
Capão do Corvo é um belo nome para sede de clube de futebol…podendo o estádio ser chamado de corvão. tem carisma
APROVEITANDO O ENSEJO, o fato de a RBS usar duas denominações diferentes mostra o quão RIDÍCULA é essa tal “ordem da globo”.
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belo texto, cheio de LIRISMO. só precisa de uma revisão.
: ]
o atual secretário de esporte e lazer é natural do mato grande.
a glória está próxima [ns]
http://www.canoas.rs.gov.br/Site/Noticias/Noticia.asp?notId=5222
“A dupla Gre-Nal parece-nos suficiente para suprir a dose de paixão e loucura que precisamos ter pelo futebol, pelo menos para grande parte da nossa gente. A proximidade com Porto Alegre provoca isso.”
É como acontece aqui. Tentaram fazer um time profissional (Guarani) em Palhoça, cidade a 20km de Florianópolis. Mal dava 100 pessoas por jogo, já que todo mundo em Palhoça torce pra Avaí, Figueirense e/ou times de fora. E isso que o Guarani tinha 75 anos de história no futebol amador. Já São José, cidade vizinha de Florianópolis e quarta maior de SC, só teve time profissional uma vez, um tal de São José que disputou a segunda divisão em 2002. E nunca mais.
Cara, adorei o texto! Realmente Canoas é uma cidade meio estranha… nunca consegui ser SIMPÁTICO a ela, mesmo tendo que ir diariamente ao Unilasalle.
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#3
Acho que ainda falta pra Canoas uma boa várzea, coisa que tem bastante em poa e região metropolitana (gravataí, cachoeirinha, viamão, alvorada, etc.)
Marcada Impednua para quarta-feira que vem às 21h.
Time de região metropolitana só com grana mesmo – tipo Barueri e Ulbras da vida.
Mesmo os tradicionais, como o Floriano (NH), Aimoré, Canto do Rio em grandes cidades periféricas não conseguem ter torcida. Aliás difícil times de fora de capitais terem torcida.
pena, fino, mesmo dia da estreia do inter na copa do brasil.
: /
http://reporteresportivo.wordpress.com/reportagem/os-38-de-canoas/
Pois é. Alguém me explique, pois estou completamente por fora: qualé a do Paulo Brito (péssimo, por sinal. Bom era o Valenzuela) de chamar a ULBRA de “Canoas”?
ainda perguntei pro cassol se “quarta-feira não tinha jogo”…
e ele respondeu “deve ter, mas azar”
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mas vai passar na tv aberta essa pelada?
Eu sinceramente não faço a menor questão de ver Inter e União Rondonópolis.
bom, se vocês são o tipo de torcedor que só vê inter x barcelona, lamento.
eu só disse que era uma pena, porque tava a fim de jogar com vocês. NA MINHA ÉPOCA DE PRESIDENTE, eu olhava quando ia ter jogo de grêmio e inter antes de marcar.
espero que TODOS quebrem as respectivas pernas. torsões no tornozelo também são bem-vindas. lkxflçsdkflçsdkglçsdkglçsd
bom, podemos jogar na terça também… às 23h00 ijddisfajisdafj
Topo terça às 23h.
Perdemos: http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&uf=1&local=1&template=3948.dwt§ion=Blogs&post=150592&blog=30&coldir=1&topo=3994.dwt
Oi Marjorie, uhasduhduashaush
Marjorie, te apresenta aí. Não somos da tua FIRMA mas não mordemos.
Vocês viram que a ESPN Brasil fez uma reportagem com o cahorro sócio e sua respectiva dona? Confesso que me decepcionei ao ver o rosto dela, por aquele vídeo do clicrbs eu esperava coisa melhor.
“É… Se no Brasil algum site de torcida escrevesse isso, poderia até virar caso de polícia.”
Boua, Marjorie!
Hahahahahaha!
Não vi.
Cara, só agora fui ver que o Nacional Querido MATOU o trio de arbitragem, usahhuasduhashuushduas
Colocou o nome dos cara com cruzinhas do lado e escreveu: “Que descansem em paz”
isadijasdijasjdijasdiíhdasgj´gajf´gjfógjóij
+ Marjorie
Antes de ler, quero deixa claro que meu bisavó foi prefeito de Canoas e o avião na praça é culpa dele.
Pronto.
#14
Fred, parece que a globo não quer que sejam citados os nomes dos patrocinadores dos clubes, tipo o que acontece com o Suzano no volei. Nesse caso, é uma grosseria sem tamanho, pq o nome do time é Sport Club Ulbra. Nem Ulbra Canoas serve, pois a Ulbra é a Universidade Luterana do Brasil, não de Canoas.
Baita texto Juca!!!
E mesmo o Novo Hamburgo é meio decepcionante.
São Leopoldo é gêmula de Canoas nesse aspecto!
#19, 20, 21
haushaushaushuahsuahsuahsuhasuhauhsuahsuahsuahsuhasuhaush
Morri. Perdemos
enviei um comentário lá pra marjoriÊ perguntando se a idéia de mostrar o site do NACIONAL QUERIDO tinha vindo do impedimento.org e até agora o comentário não foi liberado.
então tá, né.
o Impedimento está na LISTA NEGRA da FIRMA, pelo jeito.
http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/Libertadores/0,,MUL1001268-9851,00-PARAGUAIOS+DIZEM+QUE+FORAM+ROUBADOS+POR+TRIO+DE+ARBITRAGEM+BRASILEIRO.html
Todas as putas que conheci eram de Canoas.
33
eu também.
Em breve a Placar fará uma reportagem comparando os dois argentinos do Inter e os dois do Grêmio. Vão forçar um empate. Aguardem.
Valeu, Ismael!
destoando das demais postagens, mas continuando em Canoas…
saí da praia no dia do Gre-Nal até essa cidade maldita para ver Ulbra x Inter-SM. o Interzito tomou três e um baile, inclusive.
mas o ponto é o estádio. o tal complexo ficou bom, o pavilhão é bonito, organizado, até grande. e se a tendência é o fim do futebol na Ulbra, é um grande espaço ocioso – e mais um fato desagradável para o futebol dessa desagradável cidade.
e como o Juca falou, é brabo que se crie uma identificação com a Ulbra. contra o Inter-SM contei 12 torcedores na cancha. fazer o quê…
é uma pena não ter torcida um time como a Ulbra, mas é que há uma identificação com a universidade e não com um clube, por isso as pessoas não querem saber. Já pelo interior afora, como em Caxias, Pelotas, Santa maria e por ai afora existem torcedores somente dos clubes da sua cidade.
“Relativamente próxima do centro da cidade, a sede do Canoas fica em uma área que equivale a uma Vila Maria Degolada para os naturais da capital. Evitem!”
Bah, tive sorte. Já fui 3 vezes fazer as vezes de “pesquisador” na Maria Degolada e voltei inteiro, e com toda a grana que tinha ido…
Impednua em Canoas dia desses?
Pô. Realmente não revisei a merda. Espero que tenham pelo menos compreendido sem muitos danos o meu momento AMY WINEHOUSE no Word.
Com alguns erros que encontrei ali, tive certeza de que fiz frente ao guihoch em algumas frases…hahahahaha
darei a vc, juca, o certifica guihoch9001 de estilo ortografico, sastisfeitu?
hehersrs
Feito guihoch.
Fico felizHOCH