Não posso comprovar isso, mas tenho certeza de que há algo diferente na água dos moradores de Novo Hamburgo e na das pessoas que visitam a cidade. É a única razão que encontro para explicar por que tanta gente gosta desta cidade, se ela não tem absolutamente nenhum atrativo. Nem mesmo futebol.
Novo Hamburgo é feia em tudo. Muito grande para ser um lugar que lembrasse apenas do período colonial alemão, também é muito pequena para se pretender uma cidade importante. Está no limbo, na periferia da capital do estado e à porta de pequenas vilas que, cada uma a seu jeito, encantam todos.
Portanto, não há nada razoável por aqui. Não existe uma única rua onde todo mundo se reúna, como acontece em São Leopoldo, e o único lugar que oferece um mínimo de opções é o shopping center. Que tem uma particularidade: as salas de cinema têm os corredores no meio — no famoso melhor lugar para se ver um filme.
Pois é, nem filmes podem ser vistos aqui.
E nem mais futebol. Tudo por causa de uma crise antiga, e de algo que deveria fazer bem para o quase centenário Esporte Clube Novo Hamburgo — o Anilado completa 99 anos no dia 1º de maio de 2009. No final do ano passado, o Noia (maldita reforma) trocou sua antiga casa de 54 anos por um estádio novo em folha.
O problema é que o Novo Hamburgo, tradicionalmente um time abandonado pela cidade, já não podia contar com público quando jogava no lendário Santa Rosa. Localizada no centro da cidade, a cancha ficava perto de tudo. Mesmo quase sempre vazia, havia uma parcela quase cativa de torcedores que sempre acompanhava os jogos, basicamente pela facilidade de chegar lá.

Velha maloca querida
Mas o final dos anos 90 e a crise financeira de 1999 quase colocaram o Novo Hamburgo no rol de ex-clubes. O time não chegou a se licenciar por milagre, mas ficou por muito tempo na rabeira da Segundona Gaúcha. E o Santa Rosa, coitado, sofria: houve um período em que até a cobertura da social foi vendida, em troca de alguns merréis.
Por sorte, e competência de uma direção empenhada em alterar esse panorama, tudo mudou. O Noia montou uma equipe fantástica em 2003 e retornou ao seu lugar de origem, a Série A do Estadual, e de lá nunca mais saiu.
Só que o preço a pagar para sair do buraco foi grande: o Anilado teve de vender sua casa, o Santa Rosa, e precisou começar a pensar onde morar no futuro. A Feevale, instituição com os piores alunos e as melhores alunas do Vale do Sinos, comprou o terreno, que fica em uma área nobre, e concordou em locá-lo até que um novo estádio fosse erguido.
E ele foi, até mesmo contra a expectativa de grande parte da cidade, incluindo a minha. O problema é que o Novo Estádio, ainda sem nome, é MUITO LONGE de Novo Hamburgo. No meu ponto de vista, nem é mais na cidade, e, sim, em São Leopoldo. Mas na verdade ele fica bem na divisa, com um gol por sobre a linha que separa os dois municípios.

O FLAT nas bandas de São Leopoldo
A questão toda é: se já não havia torcida quando o time jogava no centro, em um lugar que qualquer um poderia ir a pé, será que vai ter alguém que se disponha a pegar um carro, passar por um bairro de trânsito difícil e assistir um jogo? Conhecendo a cidade, digo que é bem complicado.
E imerecido. O time que o técnico Gilmar Iser tem em mãos em 2009 é muito bom, e mostrou isso nos amistosos de pré-temporada. O goleador Giuliano acertou seu retorno, e Maicon Sapucaia, destaque do Gauchão de 2008, também foi contratado.
O principal foi a manutenção de Iser. Campeão das Copas Emídio Perondi e RS em 2005, além de ter levado o time ao quarto lugar na Série C do mesmo ano (quando subiam apenas dois times), Iser é identificado com o Novo Hamburgo. E, além de ter todas as credenciais para ter um grande futuro, tem sorte, pois sempre que dirigiu o Noia, conseguiu levá-lo a algo importante.
Tomara que repita o feito neste ano. Aí, quem sabe, o Novo Estádio possa significar, ao invés de uma relação ainda mais fria com a cidade, o início de um período de conquistas e de torcida para o Anilado.
A primeira foto é arquivo pessoal e a segunda é de Eduardo Pires/Onze Press.
Contribuição enviada por Francisco Luz, correspondente do Impedimento na capital nacional dos cheiradores de cola (e do calçado, também). E, caso não tenham percebido, já estamos promovendo um especial do MATAMBRÃO 2009, com a recente publicação de posts sobre o São Luiz e o Inter-SM.

Como já sugeri lá no outro post, por que não Queijão de Porco 2009?
O NH é um time meio SORUMBÁTICO, né? Parece que vive mas quer morrer, sei lá. O Aimoré tb era assim.
Francisco, eu vi o Floriano jogar nos Eucaliptos contra o Inter…
Muito bom o texto, Francisco. Algo parecido acontece lá em Bento. Faz um tempão que não vejo um jogo do Esportivo, porque não moro mais lá, mas sei que quando o Esportivo trocou a Montanha pela Montanha dos Vinhedos, um monte de gente deixou de ir pro campo. Mesmo para quem mora perto, ir a pé é difícil: não existem calçadas no caminho e as ruas são perigosas e mal iluminadas. Ônibus são raros. Ir de carro é uma mão – e arriscado. Nada que não possa ser mudado e melhor planejado com o tempo (deviam pensar nessas coisas antes, mas tudo bem). Posso estar enganado, e geralmente estou, mas tenho a impressão que ir ver um jogo do Esportivo perdeu algo do encanto que tinha prum montão de gente.
Foda é se esmerar para escrever um texto e o editor te superar com duas legendas =(
Milton, o Floriano tinha um belo time, e uma bela rivalidade com o Esperança. Uma pena que depois os verdes fecharam o futebol, e aí começou o rodízio de rivais: Aimoré, 15 e agora Sapucaiense.
Provavelmente por isso que o Anilado acabou perdendo o encanto. Também me parece um time meio DOWN.
Ei, o estádio já tem nome sim: ESTÁDIO DO VALE.
http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&uf=1&local=1&template=3948.dwt§ion=Blogs&post=142076&blog=602&coldir=1&topo=3994.dwt
Perdi.
Votei em Estádio dos Imigrantes e, obviamente, a opção foi a menos escolhida.
eu vi o Floriano jogar nos Eucaliptos contra o Inter…
meu pai jogou no Floriano contra o Grêmio no Olímpico, preliminar de um jogo em que participou o Santos do Pelé.
muito bom esse texto, aliás. Metade da identificação de um clube está no local onde sua cancha está.
LF, não chega a tanto. Se o Grêmio, em vez do Humaitá, colocasse o novo estádio em Canoas, Esteio ou Estância Velha, não haveria uma debandada geral para torcer para o Colorado na capital. Mudaria, sim, parte do público presente, mas em números não haveria diferença.
Quanto ao Esportivo, o estádio é fora do Centro, mas esse não é o pior problema. A torcida ficava ao lado do campo no antigo estádio, agora, fica a quilômetros da linha lateral. O que era um caldeirão, tornou-se um frigorífico…
Ei Chico… Eu odeio aquela bosta de cidade. E tu tem medo de fazer Drift em Lomba Grande que eu sei… hahahaha
Melhor colega de reportagem jornalística…hahahaha
Sancho, não cabe a comparação com o Grêmio. O Grêmio pode colocar a sua cancha no Belém Velho, o Inter na Ilha das Flores, que vai levar gente. São clubes de amplitude nacional.
#7
Pô Chico… Estádio dos Imgrantes era opção??? Bah… Imigrantes deve ser nome até de puteiro em NH.
Praça, avenida e afins.
Baita texto Chico. Nasci em NH e não tenho a menor vontade de assistir aos jogos do Noia. Ainda mais na Santo Afonso…
Sim, Juca, mas é melhor do que os sempre batidos DO VALE. Tudo aqui é do vale, incomoda.
Sancho, acredito que o LF falava de clubes menores. Se Inter ou Grêmio transferissem suas sedes para Erechim, ia ter gente vendo todos os jogos.
Já para um clube pequeno, de nível apenas regional, trocar de casa pode ser ótimo ou pode ser traumático. Meu temor é pelo segundo caso na situação anilada.
Ficou uma teta pegar um central na Unisinos e descer no ESTÁDIO DO VALE.
A moral é financiar um apto. da Caixa que tem ali do lado e nunca mais pagar ingresso.
ushuaiacanoasintegração
ano passado eu fui ver Noia x Gremio… calor de 60 graus e o jogo ruim de chorar no cantinho…
nunca mais
Já ouvi dizer que essa de perder publico devido a mudança do estádio ocorreu com o Avaí.
Alguem confirma?
“A Feevale, instituição com os piores alunos e as melhores alunas do Vale do Sinos”
ushauhdhasudhsudhsudhaudhauhauhdu
http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Internacional/0,,MUL964493-9869,00-ATACANTE+PORCELLIS+DEIXA+O+INTER+PARA+DEFENDER+O+BRASIL+DE+PELOTAS.html
http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/0,,MUL955728-9842,00-FININHO+ABEL+ESPERA+VOLTAR+AO+MUNDIAL+COM+TIME+DOS+EMIRADOS+ARABES.html
Cara, o Abelão parou de tomar trago.
Essa história de que times com torcida enchem o estádio onde quer que ele se localize, nem sempre é verdadeira. A Juventus de Turim passou a jogar no Delle Alpi após a Copa de 90, porém, a torcida nunca gostou do estádio e desde que a Juventus caiu para a 2ª divisão, tem jogado no Estádio Olímpico de Turim.
bah galera, vcs ficaram brabo comigo?
Prestes, que eu saiba, uísque emagrece, não engorda.
o LF, ta todo mundo de mau comigo?
Re 21:
Júnior, mas não é só a questão da localização; como eu disse do problema em Bento. Se demolissem o estádio da Montanha e construíssem o Montanha dos Vinhedos por cima, os bento-gonçalvenses continuaríam achando o estádio uma geladeira insossa se comparado ao antigo.
Em alguns casos, aumenta o público. O Bayern de Munique parece ter mais gente hoje do que no Olympiastadion.
O problema do Nóia é que já não tinha torcida, nem mesmo quando disputou a fase final da série c ia gente no Santa Rosa. Acho que o último jogo sem Inter e Grêmio que lotou foi a final da Copa FGF de 2005, e aí foi contra o Brasil, que trouxe muita gente de Pelotas.
Se fosse o contrário – tivessem saído da borda da cidade pro centro – podia se cooptar mais gente. Mas, assim, é complicado.
Tomara que eu esteja errado.
Chico Luz, eu fui nessa final aí de 2005 junto com aquela “muita gente de Pelotas”, e constatei, com todo o respeito, que o Santa Rosa era um L I X O.
Se o Bento Freitas (que eu sei que não é o pirulito) fosse daquele jeito, a Brigada NUNCA iria liberar o estádio prá jogos.
Conclusão: periga até melhorar o público.
Paul, isso que tu não devia conhecer o Santa Rosa antes da reforma da geral. A parte que a torcida do Brasil ficou (de frente para a social) ia até o chão, e os degraus eram vazados. Sempre dava tumulto com gente de pé quebrado quando Inter e Grêmio vinham jogar.
Ainda não tive a chance de ir no Bento Freitas, mas sempre me pareceu um estádio em melhores condições. Mas te digo, o público do Nóia não deve aumentar porque a grande maioria que ia era de sócios e locatários de cadeiras, e aí tinham condições bem mais decentes.
Mas quais foram os aspectos que tu achou tão ruins assim?
A parte que a torcida do Brasil (EU, no caso) ficou ia até o chão, e os degraus eram vazados. A arquibancada devia ter só uns 2m de altura, pois não se enxergava nada, e o fator primordial, não tinha BAR pros visitantes.
Cara, só se fecharam naquele jogo.
Provavelmente tu ficou atrás do gol da 24 de maio (oposto aos prédios) ou do lado da arquibancada que tinha uma escadinha pra subir (a geral). Achei que os xavantes tinham ficado nessa parte, também.
Mas tem bar por todo lado lá, ao menos nos jogos do Inter e do Nóia.
#’16
Fino…fui nesse jogo…prometi q ia levar um sobrinho no jogo…e o que a boca fala, o cu paga…tava 8000 graus, um jogo podre de ruim…voltei pra casa todo torrado…
Fora q o estádio do NH era de chorar…se mudar ou não vai melhorar o publico não sei, acho q não vai fazer muita diferença…mas qquer coisa é melhor q aquele estádio. Como sempre vou pra serra, desde meus 6 anos, sempre olhava o estádio da BR e fazia uma idéia bem diferente.
O Bento Freitas é humilde, mas é um estádio simpático.
Tem um outro time pequeno aí que vai trocar de casa.. e vai pra longe também… Olha lá hein.
E o Interzinho vai incomodar de novo hein… time até que ajeitadinho…
Logo no início, ia até mais gente do que o normal nos jogos do Esportivo no novo estádio. Um ex-colega de trabalho meu era de Bento e começou a ir nos jogos bem no início.
O problema é que depois que deixou de ser novidade, o pessoal não foi mais.
Não é Giancarlo o nome do centroavante do Novo Hamburgo?
Bah, é Giancarlo, mesmo. Confundi com o Giuliano do Inter.
mto legal, chico light.
“no famoso melhor lugar para se ver um filme.”
uhauhauahuahuhauhauha
prestes, conheço o porcellis, é amigaço do meu irmão. estudou no maria imaculada.
Como morador recente de NH, corroboro com TUDO falado sobre a cidade…nada de opções culturais, calor queniano, à beira da ruína econômica, mas com caturritas esplendorosas, especialmente na Feevale.
Outra coisa que me deixa de cara é não ter um parque na cidade como a Redenção, ou até mesmo Campo Bom.
E o estádio é em São Léo, praticamente
Todo sonho do Capilé(que mora em São Leopoldo) é ..
trabalhar
comprar um Carro
e ir a Novo Hamburgo procurar o seu pai..
Até